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Boa safra

Momentos antes do GP da Áustria, o campeão de 1992, Nigel Mansell publicou em seu perfil oficial do Twitter que esperava por uma largada cheia de erros. É certo que o inglês se redimiu ao politicamente correto e voltou atrás dizendo que esperava por bons momentos. Com dons proféticos ou não, o Leão acertou e a largada foi confusa para a turminha de trás.

No ano passado, Vettel chamou de torpedo, mas agora a denominação é boliche. Como um strike, Daniil Kvyat bateu em Fernando Alonso e sob o efeito dominó, o espanhol tocou em Max Verstappen.

Se Verstappen está numa onda de má sorte, ainda pode se gabar e explicar a Helmut Marko que seus cinco abandonos em sete provas não foram ocasionados por falhas que comprometem o seu desempenho profissional. Já Kvyat entrou numa fase de declínio constante. Desde o ano passado, quando foi rebaixado e voltou para a STR, o russo tem desempenho péssimo.

Lá na frente, Bottas se manteve em primeiro, seguido de Vettel e Ricciardo, que ultrapassou Raikkonen e ficou com terceiro lugar.

E mais rápido que o erro cometido por Kvyat, foi a reação de Bottas. Houve investigação para saber se o finlandês havia queimado a largada. A FIA apurou e provou que a movimentação foi normal. Primeiramente, eu fiquei incrédula, mas com o teste de reação que um bendito cujo da internet criou, compreendi que é possível atingir a mesma marca de Bottas ou ainda superá-lo.

E se Bottas chamou atenção com rápida reação, impressionante mesmo foi o desempenho da Haas no início da prova com Grosjean pulando de sexto para quarto. O francês conseguiu boas disputas com Sérgio Perez, que não pode contar com o desempenho esperado da Force India.

Na primeira parte da corrida, Bottas conseguia abrir quase 6 segundos de vantagem sobre Vettel. E Lewis Hamilton, que largou em 8º lugar por causa de uma punição, ultrapassava os demais na pista e conquistava o 5º lugar. Já no fim do grid, apesar do apagão da Williams no sábado, Felipe Massa pulou de 17° para 9°.

Na volta de número 15, Lewis Hamilton, pelo rádio, reclamava que seu bólido saía de traseira. Com a temperatura da pista oscilando entre 48 e 50 graus, seria difícil pilotar sofrendo com desgaste de pneu. A previsão da Pirelli era que o pit stop acontecesse entre a 18ª e a 20ª volta, mas o inglês só parou na 32ª e optou pelos supermacios. A mesma escolha de Vettel.

Valtteri Bottas, líder da prova, parou apenas na 41ª e voltou atrás de seu compatriota, Kimi Raikkonen. Sabendo do histórico entre os dois, fiquei apreensiva por algum toque, porém não havia muito que fazer. Raikkonen tentou, segurou e se defendeu, mas com pneus velhos Bottas voou e voltou à primeira posição. E o finlandês da Ferrari foi direto para o pit stop.

A partir deste momento, a corrida se tornou mais emocionante. Hamilton lutava para ultrapassar Ricciardo para conquistar o terceiro lugar. Vettel, em segundo lugar, se aproximava de Bottas. Ademais, a luta pelo primeiro lugar do pelotão demonstrava claramente a potência das equipes concorrentes ao título. Vettel se aproximava de Bottas nas curvas, uma vez que a Ferrari tinha tempos melhores no miolo de Spielberg, mas perdia força nas retas em comparação ao motor da Mercedes.

As voltas finais foram belíssimas, com desempenho espetacular e resultado surpreendente. Em 2003 a volta mais rápida de Spielberg era a marca de 1m08s337 de Michael Schumacher, ainda nos tempos do V10. A Áustria voltou ao calendário do circo em 2014 e ninguém havia quebrado este registro, nem mesmo ter alcançado a casa de 1m08s.

Alternando a vez de cada um, ora Bottas, ora Vettel e ora Hamilton, eles diminuíam tempo enquanto batalhavam por ultrapassagens. Vettel abaixou para 1m07s713, depois Kimi com 1m07s511 e por fim, Hamilton atingiu a proeza de voar baixo marcando o tempo de 1m07s411. Adendo importantíssimo: o inglês fez o seu tempo na volta de número 70, com pneus velhos, pouco combustível e pista emborrachada, completamente suja.

Que a temporada da F-1 de 2017 está muito mais competitiva em relação aos anos anteriores, eu sei. Que os carros são mais rápidos, charmosos e maiores também. Mas não é só de bólidos e da tecnologia avançada que vive a categoria. O talento de cada um em pista indica boa safra de pilotos e mostra como automobilismo não é apenas show de ultrapassagens ou acidentes, mas sim táticas, conhecimento de pista, experiência e muita técnica para atacar, defender, economizar combustível e pneus ao mesmo tempo. Quem é que só aperta botão mesmo?
Show finalizado, bandeira quadriculada à mostra. Valtteri Bottas voltou a vencer pela segunda vez no ano. Isto indica que o plano B da Mercedes dá certo. Uma verdadeira faca de dois gumes. Por um lado, Bottas ajudou Hamilton evitando que Sebastian Vettel abrisse ainda mais vantagem sobre o inglês. Por outro, Bottas mostrou que pode chamar atenção na pista e ser protagonista, mesmo que seja breve.

Vettel abriu seis pontos de diferença na Áustria e agora soma 171 pontos na tabela. Hamilton logo atrás, chega com 151 pontos. Caso o inglês vença em casa alcançará cinco vitórias em Silverstone, o mesmo número do maior vencedor da pista, Alain Prost. Vettel ergueu o troféu no lugar mais alto do pódio em território britânico apenas uma vez.

A corrida na Áustria confirmou que a temporada deste ano é realmente fantástica. Ricciardo subiu ao pódio pela quinta vez. Nove corridas, quatro vencedores. Novamente pódio com pilotos de equipes diferentes. Acredite se quiser, Palmer terminou a frente de Hulkenberg. Quer mais?

Com os holofotes voltados para Hamilton e Vettel, a batalha pelo campeonato continua na próxima semana na Inglaterra. Se a redenção de Lewis Hamilton pode acontecer em sua terra natal? Talvez. Silverstone é uma caixinha de surpresas como a atual temporada da F-1. As curvas velozes e retas podem ajudar a Mercedes, mas a pista abrasiva e a temperatura do verão europeu são fatores que favorecem a Ferrari. Totalmente imprevisível!

A F-1 não precisava voltar à década de 1980 para ser emocionante. Há cinco anos, dois bicampeões lutavam para ser o mais jovem tricampeão da história da categoria. A curva daquela temporada está logo ali para ser admirada e usada como exemplo. E se 2012 foi um campeonato icônico, por que 2017 não seria?

E agora, Felipe?

E agora, Felipe? O descanso acabou. Interlagos parou. Povo bramiu. Mônaco esfriou.
Na Blue Monday, a notícia mais óbvia do que o título do Palmeiras no campeonato brasileiro foi anunciada.
Com a F-1 representando o cenário do Brasil pelo desemprego de Nasr e a dificuldade em se aposentar devido às futuras regras da Previdência, Massa não esperou o banco em Wantage esfriar e aceitou o convite especial de Claire Williams para retornar a sua não tão antiga labuta dominical.
O nosso brasileiro não foi o único piloto a voltar para as pistas após o anúncio da aposentadoria.
No ano de 1982, Niki Lauda retornou após se aposentar no final de 1979. O austríaco conquistou duas vitórias e terminou a temporada em quinto lugar com trinta pontos. Também é importante elencar que a desaposentadoria trouxe seu tricampeonato em 1984.
Já em 1994, Nigel Mansell retornou ao banco do Williams após a tragédia de San Marino. O leão participou de quatro Grandes Prêmios e obteve um quarto lugar em Suzuka e vitória na Austrália.
Na temporada de 2010, a Mercedes trouxe Michael Schumacher, que retornava a F-1 após a sua aposentadoria anunciada em 2006 – também conhecido como o ano que Massa venceu em Interlagos e Raikkonen estava aliviando as necessidades fisiológicas durante a homenagem ao Schumi ao lado de Pelé.
Não mentiria ao dizer que o companheiro de equipe, Nico Rosberg, destacou-se mais que Schumi durante o ano.
2010 foi um bom ano para outro alemão, mas não para o heptacampeão. Schumacher encerrou a temporada sem vitória, pole positions ou pódio. Rosberg garantiu 142 pontos e três pódios para a flecha de prata, enquanto Schumi terminou com 72 pontos em nono lugar na tabela.
Quando Michael voltou, a Mercedes havia saído da fornalha e patinava nos circuitos.
O caso de Felipe é diferente. Ele não parou, apenas anunciou aposentadoria, curtiu peladinha com Neymar e provocou o efeito “Quero minhas lágrimas de volta” nas redes sociais. Massa sabe os planos da equipe. Está e esteve envolvido nos planos de desenvolvimento da Williams em 2017.
Assim como muitos que acompanham a Fórmula 1, eu não tenho expectativa para a Williams em 2017. Se a Mercedes tinha saído do forno com o Schumacher, a Williams já esfriou e nada muda.
A Ferrari também há tempo não ganha título, mas surpreende mais que a equipe inglesa. Após o título de Raikkonen em 2007, os italianos quase foram campeões em 2008, 2010 e 2012. A reformulação da McLaren causou mais euforia para os torcedores ao ver Alonso e Button lutando pela zona de pontuação e conquistando boas posições com um motor Honda do que a monótona vida de Bottas e Massa na equipe de Sir Frank Williams.
É difícil comparar a estrutura de uma equipe fundada no fundo de quintal na Inglaterra com a grandiosa obra capitalista e manufatureira das montadoras com mais equipamentos tecnológicos e marketing consolidado, a exemplo da Ferrari e Mercedes. Respeito e admiro o estilo garagista de Frank, mas isto seria tema para outro texto.
Não digo que a escolha de Felipe é certa ou errada. Mas não tenho muito que esperar. Um bom ritmo no Q2, uma briga por pódios e quem sabe quando o universo conspirar, uma pole ao estilo daquela na Áustria em 2014. E para não dizer que não falei das flores, estou feliz por ver aquela criancinha linda que é o Felipinho Massa na televisão.

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