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Sebastian Vettel

A fórmula da lei de Murphy

Ter clima favorável para o seu carro, mas com problemas no motor. Acontece. Perder a pole position quando ela é – quase – garantida. Acontece. Tentar recuperar pontos importantes e largar na 20ª posição. Acontece. Se algo pode dar errado, dará. A melhor representação da lei de Murphy é a imagem da Ferrari em Sepang no sábado, como a torrada que cai no chão com o lado da geleia para baixo.

“Mas Vettel chegou em 4º!”. Eu sei, colegas. Foi um resultado expressivo e impressionante. Mas não é hora para os italianos comemorarem. Longe disso. Explicarei.

Primeiramente, a falta de confiabilidade do motor da Ferrari é inadmissível neste momento crucial do campeonato. Se largasse na primeira ou segunda fila, Sebastian Vettel jantaria todos ali que estavam noa ponta do grid de largada, mas não foi este o desfecho da história. O alemão saiu do 20º lugar, voou e terminou em 4º. Bravo! Lindo, espetacular, incrível… Se fosse uma prova qualquer. Na tabela a situação não é muito agradável ou confiável.

Mais um fracasso para o arsenal de micos que a Ferrari possui: o bólido de Kimi Raikkonen sendo arrastado até o pit lane e sem a identificação do problema por parte da equipe. Para uma scuderia com tradicionalidade e que luta pelo campeonato,é algo no mínimo bizarro. Cômico, se não fosse trágico.

Após uma classificação dramática de Vettel, o companheiro de equipe do alemão levou a Ferrari para a primeira fila. O finlandês poderia ter atrapalhado a Mercedes e a Red Bull. Até mesmo beliscaria a terceira posição (que provavelmente seria dada para Vettel). Mas novamente, a Cavallino Rampanti falhou. Falhou com seus pilotos e com ela mesma.

Lewis Hamilton conquistou no domingo o básico de seu roteiro na trilha do tetracampeonato. Após a pole no sábado, a Mercedes não esperaria muito em uma pista quente e favorável a degradação rápida de pneus – as pedras nos sapatos das flechas de prata há temporadas.

O inglês não venceu e seu companheiro de equipe, Valtteri Bottas, teve rendimento fraco, contudo, matematicamente, Hamilton fez somente o necessário, como canta Balu em Mogli: o menino lobo. Seguramente, Alain Prost está orgulhoso de Lewis.

Quem sobrou nesta última edição da prova em Sepang foi Max Verstappen. O holandês soube atacar, defender e manter a sua posição. Mostrou e comprovou o nível de amadurecimento. Após uma série de abandonos, Verstappen ganhou o melhor presente neste domingo. Literalmente. (Para quem não sabe, este jovem fez 20 anos no final de semana).

O surgimento da Red Bull como uma das forças principais no grid pode agradar e incomodar a disputa pelo campeonato. Engrandece a temporada pela presença de mais uma equipe competitiva, entretanto, pisa no calcancar da Ferrari. Com Hamilton abrindo vantagem e a consolidação da força da Mercedes, a Ferrari tende a ficar para trás na briga.

Logo, se a Red Bull entra no jogo dos peões, a Ferrari precisa bater contra a RBR e a Mercedes. Enquanto as flechas de prata, tecnicamente, teriam que enfrentar apenas os italianos. Justo estes que hora ou outra destroem a sua própria Torre de Babel.

Com 34 pontos de diferença entre o líder Lewis Hamiton e o vice, Sebastian Vettel, a Fórmula 1 voa para Suzuka, um dos circuitos mais tradicionais do calendário. Acredito que não preciso de mais delongas para comentar qual bólido é mais favorecido com as curvas de alta velocidade, clima ameno e as retas do traçado japonês. A felicidade aparente de Hamilton no pódio da Malásia, mesmo que no segundo lugar, não deve ser à toa.

Como não haverá mais provas na Malásia, deixo aqui a minha opinião e impressões sobre o circuito. Acho o traçado único e belíssimo, uma verdadeira obra de Hermann Tilke que me agrada muito.

Sepang foi palco de bons momentos para a Fórmula 1. Ressalto as que mais me marcaram pelas memórias afetivas, é claro. Em 2015, Sebastian Vettel venceu pela primeira vez com a Ferrari. Impossível esquecer os gritos de felicidade e lágrimas do tetracampeão.

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Glória do passado: Ao lado de David Coulthard, a Ferrari comemora o título de Michael Schumacher, conquistado dias antes em solo nipônico em 2000. Fonte: Motorsport.com

Ainda no início do milênio, a scuderia curtia o título de Michael Schumacher com direitos a peruca com fios rossos.

Claramente, o GP da Malásia trouxe alegrias e glórias para a Ferrari. E ironicamente, a Cavallino Rampanti se despede de uma maneira que fez partir o coração dos tifosi: desorganizada e caótica.

A de asa, B de balaclava e C de curva

Na sexta-feira uma dúvida pairou na cabeça. “Cingapura ou Singapura?”. Recorri ao velho dicionário dos tempos da escola e não encontrei nada. Após realizar pesquisas no Google e alguns seguidores terem falado que era “Singapura” o termo correto, logo pensei: “S de Sebastian Vettel em Singapura.”

Ainda no início desta temporada, escrevi aqui no blog que a nova Fórmula 1 é surpreendente. Nem mesmo a surpresa com o traçado molhado de Marina Bay poderia ser tão dramático e inesperado como o início de prova para a equipe Ferrari. Diante de tal afirmação, não deixaria de dizer que uma situação tão imprevisível rendeu pano para manga em diversos jornais, blogs, programas de esporte e até ao vivo durante a transmissão da corrida.

Assisti e reassisti o momento da largada diversas vezes e de ângulos diferentes até chegar a conclusão de que se trata de um acidente de corrida.

Sebastian Vettel poderia ser ultrapassado ou arriscar para se manter na liderança. Neste caso, optar pelo risco é natural de muitos que largam na frente. É um movimento recorrente de diversos pilotos. Inclusive, nesta temporada já vimos Sebastian Vettel largar com o carro inclinado a esquerda para facilitar esta manobra.

No segundo lugar do grid, Max Verstappen foi para a batalha a fim de buscar a primeira posição. Primeiramente, o holandês se move para a direita, mas assim que vê a Ferrari de Vettel, vai para a esquerda como o alemão. É uma ação lógica. Virar o volante para a esquerda é reflexo, porém, dois corpos não ocupam o mesmo espaço. Carlos Drummond de Andrade já explicava em outras linhas: no meio do caminho tinha um finlandês. Tinha um finlandês no meio do caminho. As duas Ferraris ensanduicharam Verstappen e a Red Bull acertou o bólido de número 7.

Sobre Kimi Raikkonen: ele estaria com tanta gana de conquistar a segunda posição para ser cão de guarda de Vettel? Talvez, é bem possível. Ele poderia ter imaginado que não haveria espaço suficiente? Sim, mas camaradas, if you no longer go for a gap that exists, you are no longer a racing driver. O finlandês apenas acelerou. Seria este um erro gravíssimo? Suponho que não.

Creio que pela quantidade de punições que a direção da Fórmula 1 vem aplicando aos pilotos e a adoração do ser humano em apontar vítimas e vilões, criou-se a necessidade quase vital de dizer qual piloto estava certo e quem foi o responsável pelo motim.

As ações dos volantes resultaram num desfecho propício em uma reta estreita de um circuito de rua. Concordo com a decisão de Charlie Whiting e companhia, afinal, todos saíram perdendo e também é muito fácil apontar o maior prejudicado desta história.

A grande vencedora de Singapura foi a Mercedes, que chegou como a terceira força no circuito. Nos treinos, tanto no livre quanto no classificatório, a Red Bull e a Ferrari voaram e deixaram a equipe alemã para trás. No sábado, Vettel garantiu a pole ao marcar 1min39s491. Hamilton marcou o quinto tempo com a diferença de 0.635.

No entanto, o desempenho da Mercedes na corrida se mostrou melhor do que o esperado. A equipe trabalhou de forma assertiva ao transformar a situação adversa de um circuito que não favorecia o seu bólido em um salto no campeonato. Uma pedra no sapato da sua arquirrival. Lição de casa para a Ferrari que poderia ter estudado melhor e desenvolvido o carro na corrida em Monza.

De 3 pontos à frente para 28, Lewis Hamilton avança no campeonato de maneira aguerrida. Com pistas favoráveis ao carro da Mercedes, suponho que a equipe alemã também colocará Valtteri Bottas no jogo dos peões para atrapalhar o agora tão difícil pentacampeonato de Sebastian Vettel.

Se a Ferrari fará a lição de casa para inverter o campeonato, eu não sei. Mas a minha eu já fiz. Da próxima vez que brincar de abecedário com a Fórmula 1, a letra S será de sanduíche singapurense.

O ataque bárbaro

Se alguém acreditava que o Grande Prêmio da Itália daria a Ferrari alguns cavalinhos a mais no motor, enganou-se. É lorota, conto da carochinha, piada, conversinha para boi dormir. Desde a introdução do motor turbo V6, Monza se tornou palco exclusivo para o show das Mercedes. Se nos últimos anos, as flechas de prata dominaram as provas de ponta a ponta, o resultado de domingo não seria muito diferente.

Surpreendente mesmo foi o grid de largada. Devido às penalizações de nove dos vinte pilotos do grid, Lance Stroll largou em segundo lugar e Esteban Ocon em terceiro. Aliás, preciso dizer que esta regra de punir as eventuais trocas de peças nos bólidos é uma asneira sem pé nem cabeça. Os atuais motores e elementos dos carros são mais frágeis e com vida útil menor do que os anteriores. Não me parece justo continuar as seguintes temporadas com este princípio.

Para a infelicidade dos tifosi, Lewis Hamilton conquistou a pole (e foi o único a não ter a posição alterada pelas penalizações). Mas o motivo de vergonha foi o desempenho péssimo da Ferrari e seus pilotos largando em quinto e sexto lugar – se não fosse pela punição dos outros, Kimi Räikkönen e Sebastian Vettel largariam, respectivamente, em sétimo e oitavo.

Na largada, Hamilton manteve a liderança. Ocon partiu para cima de Stroll e conquistou a segunda posição. Mais uma vez Max Verstappen teve problemas. Nem sempre a ultrapassagem é um momento rápido e de fácil conquista. Verstappen se envolveu (novamente!) com Felipe Massa em uma curva na terceira volta e teve o pneu furado. O garoto podia ter esperando um pouco mais. Uma, duas, três voltas. Errou e errou feio o holandês.

Nas trocas de posições, Valtteri Bottas voou para o segundo lugar ao deixar Ocon para trás e Vettel ultrapassou Raikkonen quando o finlandês escapou do traçado na primeira chicane de Monza. Na oitava volta, o alemão e ex- líder do campeonato ultrapassou o piloto da Force India para chegar ao terceiro lugar. Dali, não saiu mais.

Nenhum movimento inesperado veio dos três primeiros volantes na fila. Lá no fundão, Jolyon Palmer ultrapassou Fernando Alonso cortando a chicane. Já que impressionar nas pistas com o motor Honda é trabalho árduo, o espanhol optou – por mais uma vez – chamar atenção pelos rádios sarcásticos. Queixou-se da manobra esquisita de Palmer, disse que o problema na caixa de câmbio não deveria existir e por fim, ao saber que o volante da Renault havia abandonado a prova, foi curto e grosso ao gritar: carma!

Quem fez uma baita corrida pôde se gabar por ter sido eleito o piloto do dia, mas não teve a oportunidade de subir ao pódio. Daniel Ricciardo pilotou. E muito! O australiano conquistou o terceiro tempo na classificação, mas teve de largar em 16º pela troca de motor e câmbio. Mas no Parco di Monza, fez belas ultrapassagens em Raikkonen e Perez. Na volta de número 38, optou pelos supermacios e foi muito veloz.  Atingiu a casa de 355 km/h. No final da prova perseguiu a Ferrari de Vettel por várias voltas, porém, sem sucesso, teve de contentar com a quarta posição.

A dobradinha da Mercedes azedou o final de semana dos tifosi. Os bólidos da equipe alemã ultrapassaram a linha de chegada com 36s de vantagem para Vettel. Apesar da festa calorosa e receptiva dos italianos, não acredito que o resultado tenha deixado feliz os integrantes da Scuderia Ferrari.

O presidente da squadra, Sergio Marchionne, disse aos repórteres que o desempenho da equipe foi abaixo do esperado e descreveu a 13ª etapa do calendário como “embaraçosa”. Não que ele vá mudar alguma coisa, os pronunciamentos do italiano são sempre marcados por muitas críticas, mas poucas ações. Ao menos é de se esperar que a Ferrari faça bom proveito do patrocínio da Philip Morris, uma vez que é proibido ostentar o símbolo de marcas tabagistas.

A dominância das flechas de prata em Monza foi impactante, mas não tão surpreendente. O circuito de retas longas e marcado com freadas fortes favoreceu a equipe alemã. Toto Wolff e companhia podem se vangloriar, mas não por muito tempo. Irmão gêmeo de Mônaco e Hungria, o circuito de Singapura pode e deve ajudar Sebastian Vettel a ter novamente a liderança do campeonato. Como se não fosse suficiente, o tetracampeão é quem mais venceu em Marina Bay.

Acredito que as próximas etapas serão mais desafiadoras e movimentadas do que esta da Itália. Lewis Hamilton pode contar com o carro mais equilibrado do grid e circuitos como Suzuka e Austin, mas até lá, a liderança do campeonato pode alternar de forma mais veloz do que os bólidos na Parabolica do Parco di Monza.

Espero que daqui a alguns anos, a temporada de 2017 seja inspiração para um filme ou documentário. Parece-me bom roteiro de um longa-metragem o líder do campeonato perder a liderança em “casa”, mas ainda poder sorrir por ser o favorito para vencer a prova seguinte. Alô alô, Ron Howard!

Boa safra

Momentos antes do GP da Áustria, o campeão de 1992, Nigel Mansell publicou em seu perfil oficial do Twitter que esperava por uma largada cheia de erros. É certo que o inglês se redimiu ao politicamente correto e voltou atrás dizendo que esperava por bons momentos. Com dons proféticos ou não, o Leão acertou e a largada foi confusa para a turminha de trás.

No ano passado, Vettel chamou de torpedo, mas agora a denominação é boliche. Como um strike, Daniil Kvyat bateu em Fernando Alonso e sob o efeito dominó, o espanhol tocou em Max Verstappen.

Se Verstappen está numa onda de má sorte, ainda pode se gabar e explicar a Helmut Marko que seus cinco abandonos em sete provas não foram ocasionados por falhas que comprometem o seu desempenho profissional. Já Kvyat entrou numa fase de declínio constante. Desde o ano passado, quando foi rebaixado e voltou para a STR, o russo tem desempenho péssimo.

Lá na frente, Bottas se manteve em primeiro, seguido de Vettel e Ricciardo, que ultrapassou Raikkonen e ficou com terceiro lugar.

E mais rápido que o erro cometido por Kvyat, foi a reação de Bottas. Houve investigação para saber se o finlandês havia queimado a largada. A FIA apurou e provou que a movimentação foi normal. Primeiramente, eu fiquei incrédula, mas com o teste de reação que um bendito cujo da internet criou, compreendi que é possível atingir a mesma marca de Bottas ou ainda superá-lo.

E se Bottas chamou atenção com rápida reação, impressionante mesmo foi o desempenho da Haas no início da prova com Grosjean pulando de sexto para quarto. O francês conseguiu boas disputas com Sérgio Perez, que não pode contar com o desempenho esperado da Force India.

Na primeira parte da corrida, Bottas conseguia abrir quase 6 segundos de vantagem sobre Vettel. E Lewis Hamilton, que largou em 8º lugar por causa de uma punição, ultrapassava os demais na pista e conquistava o 5º lugar. Já no fim do grid, apesar do apagão da Williams no sábado, Felipe Massa pulou de 17° para 9°.

Na volta de número 15, Lewis Hamilton, pelo rádio, reclamava que seu bólido saía de traseira. Com a temperatura da pista oscilando entre 48 e 50 graus, seria difícil pilotar sofrendo com desgaste de pneu. A previsão da Pirelli era que o pit stop acontecesse entre a 18ª e a 20ª volta, mas o inglês só parou na 32ª e optou pelos supermacios. A mesma escolha de Vettel.

Valtteri Bottas, líder da prova, parou apenas na 41ª e voltou atrás de seu compatriota, Kimi Raikkonen. Sabendo do histórico entre os dois, fiquei apreensiva por algum toque, porém não havia muito que fazer. Raikkonen tentou, segurou e se defendeu, mas com pneus velhos Bottas voou e voltou à primeira posição. E o finlandês da Ferrari foi direto para o pit stop.

A partir deste momento, a corrida se tornou mais emocionante. Hamilton lutava para ultrapassar Ricciardo para conquistar o terceiro lugar. Vettel, em segundo lugar, se aproximava de Bottas. Ademais, a luta pelo primeiro lugar do pelotão demonstrava claramente a potência das equipes concorrentes ao título. Vettel se aproximava de Bottas nas curvas, uma vez que a Ferrari tinha tempos melhores no miolo de Spielberg, mas perdia força nas retas em comparação ao motor da Mercedes.

As voltas finais foram belíssimas, com desempenho espetacular e resultado surpreendente. Em 2003 a volta mais rápida de Spielberg era a marca de 1m08s337 de Michael Schumacher, ainda nos tempos do V10. A Áustria voltou ao calendário do circo em 2014 e ninguém havia quebrado este registro, nem mesmo ter alcançado a casa de 1m08s.

Alternando a vez de cada um, ora Bottas, ora Vettel e ora Hamilton, eles diminuíam tempo enquanto batalhavam por ultrapassagens. Vettel abaixou para 1m07s713, depois Kimi com 1m07s511 e por fim, Hamilton atingiu a proeza de voar baixo marcando o tempo de 1m07s411. Adendo importantíssimo: o inglês fez o seu tempo na volta de número 70, com pneus velhos, pouco combustível e pista emborrachada, completamente suja.

Que a temporada da F-1 de 2017 está muito mais competitiva em relação aos anos anteriores, eu sei. Que os carros são mais rápidos, charmosos e maiores também. Mas não é só de bólidos e da tecnologia avançada que vive a categoria. O talento de cada um em pista indica boa safra de pilotos e mostra como automobilismo não é apenas show de ultrapassagens ou acidentes, mas sim táticas, conhecimento de pista, experiência e muita técnica para atacar, defender, economizar combustível e pneus ao mesmo tempo. Quem é que só aperta botão mesmo?
Show finalizado, bandeira quadriculada à mostra. Valtteri Bottas voltou a vencer pela segunda vez no ano. Isto indica que o plano B da Mercedes dá certo. Uma verdadeira faca de dois gumes. Por um lado, Bottas ajudou Hamilton evitando que Sebastian Vettel abrisse ainda mais vantagem sobre o inglês. Por outro, Bottas mostrou que pode chamar atenção na pista e ser protagonista, mesmo que seja breve.

Vettel abriu seis pontos de diferença na Áustria e agora soma 171 pontos na tabela. Hamilton logo atrás, chega com 151 pontos. Caso o inglês vença em casa alcançará cinco vitórias em Silverstone, o mesmo número do maior vencedor da pista, Alain Prost. Vettel ergueu o troféu no lugar mais alto do pódio em território britânico apenas uma vez.

A corrida na Áustria confirmou que a temporada deste ano é realmente fantástica. Ricciardo subiu ao pódio pela quinta vez. Nove corridas, quatro vencedores. Novamente pódio com pilotos de equipes diferentes. Acredite se quiser, Palmer terminou a frente de Hulkenberg. Quer mais?

Com os holofotes voltados para Hamilton e Vettel, a batalha pelo campeonato continua na próxima semana na Inglaterra. Se a redenção de Lewis Hamilton pode acontecer em sua terra natal? Talvez. Silverstone é uma caixinha de surpresas como a atual temporada da F-1. As curvas velozes e retas podem ajudar a Mercedes, mas a pista abrasiva e a temperatura do verão europeu são fatores que favorecem a Ferrari. Totalmente imprevisível!

A F-1 não precisava voltar à década de 1980 para ser emocionante. Há cinco anos, dois bicampeões lutavam para ser o mais jovem tricampeão da história da categoria. A curva daquela temporada está logo ali para ser admirada e usada como exemplo. E se 2012 foi um campeonato icônico, por que 2017 não seria?

Quando a obsessão se torna descontrole

Antes de entrarmos no assunto principal, quero deixar claro que esse texto não tem a intenção de defender nem atacar os pilotos envolvidos na polêmica de Baku.

A temporada de 2017 da Fórmula 1 marca a volta de Sebastian Vettel ao protagonismo da categoria. Após três anos assistindo o domínio total da Mercedes, Vettel deposita suas esperanças em seu bólido vermelho para um possível pentacampeonato. Mas, junto com as boas atuações, o alemão volta a apresentar algo que assombra sua carreira: O temperamento.

Seu mau comportamento em Baku reabriu a discussão sobre o quão aceitável são tais atos. Não é de hoje que vemos o tetracampeão se deixar levar pelo calor do momento: Desde a batida da inexperiente promessa em Mark Webber no GP de Fuji de 2007 ao famoso episódio da última edição do GP do México, são várias as situações em que vimos Vettel perder o controle de seus atos.

Não há dúvidas de que estamos presenciando uma das lendas do esporte escrevendo sua história, mas assim como vários outros grandes nomes, a obsessão de Seb em ser o melhor supera os limites éticos do esporte em algumas ocasiões. Dito isso, não é a primeira e provavelmente não será a última vez em que veremos este tipo de atitude no circo da F1.

Nos últimos trinta anos de Fórmula 1, vimos Alain Prost se aproveitar da liderança de Jean-Marie Balestre em episódios como o GP do Japão de 1989, que Ayrton Senna venceu após sobreviver ao choque provocado pelo piloto francês, mas que acabou sendo desclassificado por “cortar caminho”, tornando Alain tricampeão mundial com uma corrida de antecedência. Um ano depois, vimos Ayrton Senna se vingar do ocorrido, no mesmo palco, quando sua McLaren colidiu com Prost, agora piloto da Ferrari na primeira curva, fazendo com que desta vez, o brasileiro ficasse com a coroa.

Michael Schumacher também sentiu o sangue subir a cabeça ao agir em desespero em jerez, no ano de 1997. Ao ver seu rival pelo título Jacque Villeneuve ameaçar uma ultrapassagem, schumi jogou sua Ferrari em direção ao canadense numa manobra suicida que acabou sendo malsucedida, deixando o alemão fora da corrida e Jacque tranquilo para caminhar em direção a seu primeiro e único título mundial.

Mais recentemente, Fernando Alonso se envolveu em um dos maiores escândalos da categoria na estreia da etapa de Cingapura, em 2008. Após uma batida proposital de seu companheiro de equipe Nelsinho Piquet, Alonso se aproveitou de ter parado cedo e tomou a ponta no safety car, conquistando sua única vitória na temporada. Após descoberta a trapaça, a equipe Renault foi multada e o chefe de equipe da época, Flavio Briatore, banido do esporte.

Quatro pilotos, quatro atos antidesportivos, e lições a serem aprendidas. A semelhança entre eles? Todos são pilotos de renome, conquistaram títulos, estabeleceram suas marcas e são aclamados pela comunidade.

Vettel ainda terá muito a conquistar em seus próximos anos: Títulos, vitórias, mas acima de tudo, experiência. Após seu quarto título, Seb foi perguntado sobre o que achava de ser um exemplo para as crianças. Sua resposta?  “É estranho. Eu ainda me sinto uma criança.” Quase quatro anos depois, é hora de provar para o povo que seus feitos são maiores que qualquer erro, e que, acima de qualquer obsessão, ainda existe uma criança vivendo o seu próprio sonho.

 

Os volantes mais birutas do mundo

Pelo título, é possível notar que a pessoa que vos escreve é apaixonada por desenhos animados. Uso diversas animações para explicar minhas opiniões e farei isto agora. No filme Ratatouille da Pixar, o crítico do jornal é exigente demais com os restaurantes por adorar a gastronomia. Neste caso, eu sou o Anton Ego e Vettel, a gastronomia. Compreendem?

Ainda é muito cedo para cantar a bola do pentacampeonato ou de um possível tetra. A Fórmula 1 em 2017 é tão misteriosa e apta para nos surpreender em razão de sua competitividade e certo equilíbrio entre as maiores equipes montadoras do grid. O crescimento da Ferrari, em comparação ao ano passado, é brilhante. A Mercedes continua grande e poderosa. Se a temporada até agora vinha sendo disputada de uma maneira bela e limpa, o GP do Azerbaijão nos espantou – agora de forma negativa.

No trânsito casual das grandes cidades, o motorista que colide o carro da frente é considerado culpado. Logo, Vettel errou em Baku.

Hamilton, como líder da prova, pode e deve mandar o ritmo na corrida sob vigilância do Safety Car. Se Hamilton houvesse desacelerado (FIA já comprovou que não houve frenagem), ele ainda estaria em seu direito constatado no regulamento. No mínimo, Vettel deveria ter prestado atenção.

O segundo toque do alemão agravou a situação. Bater, propositalmente, em Hamilton foi ignorância. Voltou a ser aquele moleque que bate em Webber e ainda se livra da culpa. A diferença entre aquele Vettel e este de agora é a somatória de 45 vitórias e 4 títulos. Este não é um comportamento esperado de qualquer piloto da categoria mor do automobilismo, quem dirá de um tetracampeão.

Medo não justifica ações antidesportivas. A Ferrari sentiu o peso da corrida do Canadá e a possível derrota em Baku. Além da futura troca do turbocompreensor que será convertida em punição. Não é possível que o alemão tenha problema com o equipamento até o fim da temporada. Na tabela, a polêmica ainda ficou doce para o lado de Sebastian Vettel. Sorte dele e da equipe que viram Lewis Hamilton perder a chance de subir ao pódio por falha da Mercedes. A diferença entre o tedesco e o inglês é de 14 pontos.

Para ver o copo meio cheio, numa visão mais otimista deste Grande Prêmio, Daniel Ricciardo deu o ar da graça ao vencer após ter sofrido com uma colisão no início da corrida. Trouxe pontos para a RBR após o abandono de Verstappen, que não tem boa maré desde quando cutucou os brasileiros com vara curta. Será apenas coincidência?

E o que dizer de Lance Stroll? Quem mais vinha errando, surpreendeu, cativou o público e foi eleito o piloto do dia. Baku não é uma pista fácil, poucos pilotos a conhecem e apesar do traçado estreito, o garoto desencantou e por um erro bobo, perdeu o segundo lugar para Bottas.

Era preciso uma corrida maluca para Massa ter chances reais de vencer até a quebra do amortecedor e finalmente, Fernando Alonso marcou na temporada.

As corridas seguintes mostrarão o desenrolar desta história que além de mostrar imaturidade dos dois pilotos pela provocação de um e o retrucar do outro, também manchou a reputação de Vettel.

Sei que Sebastian Vettel é um bom piloto e tenho provas para tal afirmação: manteve-se firme para conquistar o seu primeiro título; levantou, sacudiu a poeira e deu a volta por cima para se tornar o mais jovem tricampeão e até mesmo na adversidade, teve compostura nas provas de 2014. Aquela disputa pelo segundo lugar em Cingapura foi muito boa.

Fórmula 1 e futebol são amores da minha vida e associar um ao outro é muito fácil nesta situação. Numa conversa qualquer de boteco, é claro ver que Zidane é muito mais lembrado pelo erro na Copa de 2006 do que na seleção vitoriosa de 1998. E naquele ano, os azuis eram muito bons de bola. Espero que no final desta temporada, os acertos de Sebastian Vettel se sobressaiam diante de seus erros.

O marasmo da festa

O Grande Prêmio de Mônaco foi um marco importantíssimo para a história da Ferrari. Não apenas por quebrar a velha marca da dobradinha no pódio em 2010 e a última vitoria no Principado ainda no longínquo ano de 2001 por Michael Schumacher, the great. Mas sim pela tática – conhecida por todos nós – da Ferrari escolher seu piloto a ser favorecido. E de alemão para outro alemão, a escuderia deixou o seu recado.

Não que Sebastian Vettel seja um piloto que não mereça um bom tratamento. O tedesco já provou há muito tempo que tem talento diversas vezes em sua carreira, afinal ter como palco da primeira vitória o circuito de Monza na pista molhada não é para qualquer um.
E esta vitória em Mônaco, Sebastian soube como economizar os pneus já usados no fim de semana e as famosas voltas rápidas antes do pit-stop inspiradas em seu ídolo maior, Michael Schumacher (Que nostalgia, minha Nossa Senhora!).

Partindo para a visão mais técnica e lógica, o Principado foi o sonho de Arrivabene e companhia. As baratas vermelhas foram as mais rápidas no treino livre e as mais velozes no classificatório, porém, algo não estava certo. O piloto errado estava na ponta.
Com o alemão e o finlandês no pódio, a Ferrari marcaria pontos importantíssimos para o campeonato de construtores, mas com o título de pilotos em jogo, não seria a hora especifica para ser um tanto quanto “gentil” com o homem de gelo, ainda mais com o fato de que Vettel já teve quatro trocas do turbocompressor. Mais uma e o alemão recebe castigo.

Voltando ao piloto principal do texto (mas não de sua equipe), muito se tem falado sobre merecimento em receber privilégios, afinal, desde que Vettel chegou à Ferrari já fez o coração do tifosi bater mais forte com palavras em italiano, o fator Schumi e o orgulho rosso. Já Raikkonen, defendendo seu título de homem de gelo, é homem de quase ou nenhuma palavra, não tem interesse em falar italiano e raramente sorri. Kimi voltou à equipe, onde foi campeão há dez anos, para correr. E há algo de errado nisso?

Kimi Raikkonen ainda corre, meus amigos. Recordam-se do treino classificatório do GP do Brasil do ano passado? O próprio narrador mais famoso da TV brasileira bradou aos quatro mares que Kimi Raikkonen havia colocado Sebastian Vettel no bolso. Raikkonen ficou com o terceiro lugar no grid de largada em Interlagos e durante a temporada, conquistou dois terceiros lugares: um na Rússia e outro na Áustria.

É certo que Sebastian Vettel terminou a temporada de 2016 à frente de seu companheiro, mas em relação ao que poderia ser feito, o desempenho do alemão não atingiu as expectativas. E se Margherita, o carro da temporada passada, deu problemas para Vettel, o que será de Kimi Raikkonen que recebe um carro inferior e estratégias pífias desde o seu retorno à F-1.
Logo, se Kimi conquista o terceiro lugar ou a pole position, como fez no Principado, é algo para se aplaudir.

Cair na falsa lorota que Ferrari não quis dar o lugar para o Vettel é inocência demais. Quiçá falta de conhecimento sobre táticas e políticas do circo do automobilismo. O normal e correto seria a Ferrari chamar Vettel em seguida após o pit-stop de Raikkonen, não é? Mas a equipe optou por soltar o finlandês no tráfego com Button e dar tempo suficiente para Vettel abrir vantagem sob os demais. Com tecnologias, softwares e tantos outros dispositivos desta F-1 moderna, é simples decidir como e quando será o pit-stop. Talvez os ares luxuosos e elitistas do Principado tenham ajudado a Ferrari a se inspirar em deixar a inversão dos pilotos com um toque de glamour.
E antes que alguém diga que Kimi Raikkonen não se adequou ao carro de 2017 e está sem motivação, eu recomendo que use os mesmos argumentos com Sebastian Vettel. As temporadas de 2014 e 2016 foram fraquíssimas em relação ao histórico do tetracampeão.

Portanto, a reação de Kimi no pódio tem fundamentos. E se o merecimento for necessário para livrar o réu que a verdade seja dita: se Raikkonen foi o pole, o homem tinha gabarito para conquistar (ou congelar) a sua suposta 21ª vitória.

Um passeio finlandês

Eu sei que um domingo com Fórmula 1 é sempre melhor, mais bonito, agradável e até a cidade russa entendeu este raciocínio com 23°C, céu ensolarado e um calorzinho bom para o país da vodca, mas o Grande Prêmio da Rússia foi como as últimas corridas já nos mostraram ser a essência de Sochi: desinteressante.

Mal tinha começado a corrida e Alonso teve de abandonar ainda na volta de apresentação. Cada vez mais a parceria McLaren-Honda vem desanimando o espanhol que terá como próxima aventura (ou decepção) a corrida em sua terra natal.

E mais rápido do que a presença de Fernando Alonso foi o finlandês Valtteri Bottas, que na largada, aproveitou-se para passar seu compatriota, Kimi Raikkonen, e contornar a curva à frente de Sebastian Vettel.

Ainda na primeira volta no resto do pelotão, Grosjean foi como um torpedo em direção a Jolyon Palmer e este foi o motivo que levou o Safety Car para a pista.

Após a relargada, nada mudou. A fila de carros continuava a mesma com Bottas, Vettel, Raikkonen, Hamilton e Verstappen.

Com problemas de freio, Daniel Ricciardo teve de abandonar a prova na quinta volta. Um empecilho comum do circuito de Sochi, pois voltas depois, Lewis Hamilton e a sua fortíssima Mercedes também sofreram com o superaquecimento de freios.

Desde a relargada até a parada para os boxes, a corrida se tornou muito cansativa. Os pilotos estavam distantes e exceto pela ultrapassagem de Bottas no início da prova, não houve mais nenhuma disputa por posição. Um episódio a parte nesta nova e cativante Fórmula 1 de carros rápidos e com disputa de campeonato entre equipes diferentes.

A Pirelli, distribuidora de pneus, previa que o pit stop seria aproximadamente na 20º volta e a expectativa era de apenas uma parada. O primeiro a parar foi Wehrlein. A Ferrari e Mercedes ficaram à espera de quem colocaria os seus cavalos na chuva primeiro e a equipe alemã decidiu chamar Bottas para o pit stop na 28ª volta.

Com o finlandês da Mercedes fazendo sua parada, Vettel pulou para o primeiro lugar. Logo em seguida foi a vez da Ferrari com Kimi Raikkonen, que assim como Bottas, também saiu de pneus ultramacios.

Na volta de número 31, Lewis Hamilton foi para o pit stop e o único piloto da frente sem parar era Sebastian Vettel.

O alemão tinha quase vinte segundos de vantagem sobre Valtteri Bottas, mas seu pit stop deu com os burros n’água com a chance de permanecer sendo líder da prova. A Ferrari continua com problemas em paradas e o mecânico deixou isto bem claro quando se atrapalhou com o pneu dianteiro esquerdo do carro. Vettel voltou 4s6 atrás de Bottas.

Com pneus mais novos, a esperança de Sebastian Vettel era ultrapassar o líder da prova. Para criar expectativa no peito de cada ferrarista, Bottas fritou o pneu e perdeu vantagem para o alemão. A distância entre os dois pilotos era de 2s2. Na 42ª volta, os dois estavam separados por 1s5.

Direto do pit lane, o engenheiro de Vettel mandava a mensagem para o seu piloto: “Continue pressionando, ele vai cometer algum erro”. E para acabar de uma vez com a esperança de todos da equipe italiana, Bottas conduziu sua Mercedes até o limite e não deixou Vettel sonhar com a possibilidade de abrir a asa.

Última volta. No meio do caminho tinha um Felipe Massa. Tinha um Felipe Massa no meio do caminho. Talvez Vettel nunca tenha sonhado em ser poeta. O alemão sempre diz que era péssimo quando estudava sua língua mãe nos tempos de escola, mas um poema cairia bem melhor para demonstrar a sua raiva.

O piloto brasileiro era o retardatário da pista e Bottas logo se livrou dele, porém, Sebastian Vettel ficou atrás de Massa e perdeu meio segundo pela falta da tão amada bandeira azul.

O resultado destes segundos de agonia para o alemão? Mesmo sem vencer, Vettel mostrou o dedo.

Apesar da falta de emoção, a quarta etapa da temporada de 2017 trouxe a primeira vitória de Valtteri Bottas na categoria. O finlandês não vencia uma prova desde 2011 ainda na Fórmula 3 inglesa.

Desde o GP da Austrália de 2013, o hino da Finlândia não tocava para o piloto no lugar mais alto do pódio.

Valtteri Bottas é o 107° piloto a conquistar uma vitória na F-1 e o quinto finlandês a vencer na categoria.

No final da corrida, o saldo ficou positivo para o líder do campeonato. Sebastian Vettel tem 86 pontos e Lewis Hamilton, que não subiu ao pódio, está com 73. Logo atrás, aparece Valtteri Bottas com 63.

É a quarta etapa da temporada com três vencedores diferentes. Disputa a trois? Todos esperamos que sim.

Gina davanti

Seguindo a lógica de um chefe de equipe, se você tem uma dobradinha na ponta do grid na largada é sinal que você voltará com o troféu da vitória para a casa. Certo? Errado.
O Grande Prêmio do Bahrein mostrou a nova tendência na temporada de 2017: tudo é possível. O abismo entre a Mercedes e as outras equipes da Fórmula 1 no treino classificatório no final de semana mostrou o quão rápido e potente é o carro da escuderia alemã, mas por diversos problemas, sejam eles de DRS, estratégia, pressão dos pneus e até mesmo o bom desempenho da Ferrari atrapalharam a semana santa de Toto Wolff.
Aos 27 anos, Valtteri Bottas largou pela primeira vez na pole position e manteve a sua posição, enquanto seu companheiro de equipe, Lewis Hamilton, foi ultrapassado por Sebastian Vettel. Na primeira volta, o pelotão era seguido de Bottas, Vettel, Hamilton, Verstappen, Ricciardo, Massa, Hulkenberg, Raikkonen, Grosjean e Ocon. Além da surpresa da ultrapassagem do alemão da Ferrari, os fãs da Fórmula 1 também ficaram boquiabertos com a largada limpa de Jolyon Palmer da Renault.
Na volta de número 5, Raikkonen e Massa disputavam pela sexta colocação. O puxão de orelha do velho Marchionne resultou na ultrapassagem do finlandês sob o piloto brasileiro. Mais a frente, os três primeiros colocados estavam separados por apenas 6s e o líder da prova segurava o ritmo enquanto Hamilton tentava alcançar Sebastian Vettel.
A estratégia da Ferrari era chamar o seu piloto para o box antes dos rivais e assim a escuderia fez quando Sebastian Vettel parou na 11ª volta. Logo em seguida, foi a vez de Max Verstappen, que também optou pelos pneus supermacios, parar. Mas a diversão do jovem não durou por muito tempo, o holandês bateu contra o muro e teve de abandonar a prova. E outro “bebê da Fórmula 1” também saiu da prova, o canadense Lance Stroll sofreu com o toque de Carlos Sainz.
Com os detritos na pista em resultado da colisão entre Stroll e Sainz, o Safety Car foi acionado. Vettel se tornou líder da prova quando os pilotos partiram para o pit stop. Lewis Hamilton reduziu a velocidade sem necessidade e foi punido por 5 segundos.
Já na relargada, Bottas puxou, acelerou, mas não conseguiu ultrapassar Vettel e ainda teve de levar um “X” do alemão.
Para deixar amargo o domingo de Páscoa do finlandês, a Mercedes pediu para Bottas deixar Hamilton passar com esperança de que o inglês pudesse brigar pela primeira posição. A equipe alemã quebrou um mandamento, rompeu um laço para abrir caminho ao inglês. Não é necessário Wolff dar escusas ou convencer os jornalistas sobre condições estratégicas, nós já conhecemos este jogo.
Sebastian Vettel fez sua segunda parada na volta de número 33, três voltas depois, já marcava o tempo mais rápido da prova de 1m34s004 e logo seria ultrapassado por Hamilton. O inglês parou na 41ª e optou por pneus macios de um conjunto já usado no final de semana.
Quase. Palavra de cinco letras que resume o desempenho da McLaren neste final de semana do Bahrein. Vandoorne nem sequer participou da prova e a duas voltas do fim, Fernando Alonso teve problemas com o motor e abandonou. “Não desejo a ninguém uma situação destas. O GP do Bahrain mostrou como é a situação”, lamentou Alonso.
O feriado é cristão, mas é a McLaren que precisa ressuscitar. Quem sabe o espanhol voltará a fazer milagres nas 500 milhas de Indianápolis.
Se alguém propõe a tese de que a punição de Hamilton ajudou a vitória ítalo-germânica, a teoria será quebrada, pois Sebastian Vettel cruzou a linha de chegada com 6,6 segundos de vantagem sobre o inglês. A vitória deste domingo se deu graças ao trabalho em perfeita sincronia de Vettel e Ferrari. Seria errado demais afirmar que os 5 segundos foram cruciais.
A alegria do alemão não poderia ter razão melhor. Ele saiu na frente e está com 7 pontos a frente de seu principal rival da temporada. Para a alegria dos tifosi e da família em Maranello, la macchina di Seb funziona.

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