Em comparação a F-1 que assisto desde sempre, comecei a assistir a Fórmula 3 há pouco mais de um mês.
Descobri que a Fórmula 3 é um berço de ouro do automobilismo. Se a Fórmula 1 não for o futuro do piloto, ele se encaixará em alguma outra categoria, seja Indy, WEC, etc e tal.
São meninos jovens e com muita vontade de aprender. Há competitividade, afinal é uma competição intercontinental, mas acredito que o aperfeiçoamento das habilidades é o mor que leva os garotos.
E não é que houve uma espécie de identificação por minha parte? Numa boa analogia, este blog para mim é a F-3 para os garotos. Assim como eles, quero ir além da minha aptidão. Decidi me aventurar um pouco além da F1 e aprender um pouco mais sobre as outras categorias. Quem sabe daqui a alguns anos eu posso me gabar e dizer que vi o mais novo campeão nos tempos da F3?
Pois bem, não havia lugar melhor para a Fórmula 3. Spa-Francorchamps não é apenas um circuito, é um templo do automobilismo e os volantes surpreenderam em cada corrida.
Ainda na sexta-feira, Lando Norris (Carlin) venceu a 16ª etapa, largando do primeiro lugar.
Em uma largada emocionante, o piloto de Bristol se manteve em primeiro lugar e se defendeu contra as tentativas de ultrapassagem de Callum Ilott, da Prema Powerteam. Maximilian Günther (Prema Powerteam), vice-campeão da temporada passada, largou em 4º e voou alcançando duas posições.
Houve confusão na disputa pelas primeiras posições e a vítima foi Jake Hughes (Hitech), que saiu da pista por um toque – como um sanduíche, Ilott por dentro e Günther por fora. O carro de segurança foi acionado.
Com a bandeira verde tremendo na mão do fiscal, a disputa era da turma do fundão. Harrison Newey (Van Amersfoort Racing), Ferdinand Habsburg (Carlin) e Mick Schumacher (Prema Powerteam) brigavam pela 7ª posição. O inglês se deu bem e conquistou o que almejava.
Em uma das curvas do circuito, Nikita Mazepin (Hitech) tirou a segunda posição de Maximilian Günther enquanto Norris, líder da prova, abria vantagem de 1.3s (acredite na F3, é muita coisa!).
Nas voltas finais, Schumacher, que largou em 14º, ultrapassou Ralf Aron em uma disputa roda com roda para conquistar a 6º lugar. Mazepin começou a se aproximar de Norris e como resposta, o inglês voltou a abrir vantagem para vencer a sua quarta prova na temporada.
No segundo lugar e como debutante, Nikita Mazepin, do programa Junior da Force India, foi ao pódio pela primeira vez na F3. Günther, atual líder do campeonato, chegou em 3°.

Na 17ª etapa, o pole Lando Norris colidiu contra Guanyu Zhou (Prema Powerteam) na reta Kemmel e os dois tiveram de abandonar a prova. Callum Ilott assumiu a liderança por uma volta até perder a primeira posição para seu companheiro de equipe, Maximilian Günther.
Uma intensa batalha começou. Jake Hughes, Jehan Daruvala (Carlin) e Ferdinand Habsburg disputavam a segunda posição, de Ilott, lado a lado. Entre os quatro, Hughes se deu melhor e o indiano da equipe Carlin abandonou a prova.
Neste contratempo, Pedro Piquet (Van Amersfoort Racing), que havia largado em 10º e com bom ritmo se manteve em 7º. O brasileiro foi atingido por Ralf Aron (Hitech) e teve de abandonar a prova. Logo atrás, Nikita Mazepin ultrapassou Mick Schumacher para conquistar a oitava posição.
No final da prova, a vantagem entre os quatro primeiros colocados diminuía a cada volta. Jake Hughes, que conquistou a terceira posição no início, foi ultrapassado por Ferdinand Habsburg. E assim, o neto do último príncipe da Áustria não tardou muito até alcançar Maximilian Günther e vencer pela primeira vez na categoria.
Ao lado de Habsburg no pódio, esteve também o sueco Joel Eriksson (Motorpark) que teve bom ritmo numa corrida de recuperação, largando em 12° no grid. Günther novamente terminou a prova em 3º lugar.

Pela última etapa na Bélgica, três pilotos da Prema Powerteam largaram nas primeiras posições: Callum Ilott, Guany Zhou e Maximilian Günther. No treino classificatório, Lando Norris marcou o melhor tempo, porém teve de cumprir uma punição pelo toque no bólido de Zhou na prova anterior e largou em 4º.
Na largada, a primeira fila se manteve por alguns metros de Spa-Francorchamps até Zhou assumir a liderança. Maximilian Günther e Lando Norris também passaram à frente de Callum Ilott. Na volta seguinte, Norris pulou para a segunda posição enquanto Zhou abria 1.3s de vantagem.
Aproximando-se do pelotão, Jake Hughes colidiu em Günther e o alemão teve de dar adeus para a prova. O incidente trouxe para a pista o carro de segurança.
Na relargada, em uma boa ultrapassagem Lando Norris passou por Zhou e defendeu a liderança contra as investidas de retomada por parte do chinês. O inglês acelerou, abriu vantagem e voou sem dificuldades até receber a bandeirada final.
Largando do décimo lugar, Joel Eriksson novamente teve um bom ritmo para ultrapassar seus rivais em pista e terminar a prova à frente de Zhou.

Como destaque na Bélgica, o desempenho de Lando Norris ao conquistar duas vitórias e fazer o melhor tempo nos treinos classificatórios justificam a esperança que a McLaren deposita no jovem inglês.
Apesar de não ter vencido nenhuma prova na Bélgica, Maximilian Günther, visto como favorito ao título, é líder do campeonato com 266 pontos. Norris aparece em segundo lugar na tabela com 248.
A batalha pelo campeonato da Fórmula 3 europeia volta entre os dias 19 e 20 de agosto em Zandvoort na Holanda.
Como este foi o primeiro texto sobre a F3, decidi deixar uma consideração positiva e negativa.
Ponto positivo: Estou muito feliz com o desempenho do Lando Norris nos testes da Hungria. Após vencer duas vezes em Spa, ele marcou o segundo melhor tempo do dia, ficando atrás apenas de Sebastian Vettel.
Ponto negativo: Assumo que fiquei biruta com as minhas anotações. Eu, admiradora do heptacampeão da F-1, surtei todas as vezes que escrevi M. Schumacher no caderno. Espero me adaptar a criar a imagem do filho e não do pai todas as vezes que citar Mick em textos… Chame o Tom Cruise, porque para mim parece uma missão impossível.
