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O cavaleiro

Hoje, uma era acabou. O enfraquecimento das equipes garagistas tem como marco a saída total de Ron Dennis das ações do grupo McLaren. Quem viu, viu. Quem não viu, abra uma página no Google. Acredite em mim, vale a pena pesquisar!

Afirmo que Ron Dennis errou, afinal, quem não comete deslizes na vida, seja no âmbito pessoal ou profissional? Mas acredito, que acima de tudo, os acertos de Ron Dennis são maiores e que a sua despedida seja pouco honrosa em relação aos seus méritos.

Nascido e criado em Woking, cidade sede da McLaren, Ron Dennis se formou em engenharia e começou a trabalhar com automobilismo ainda na década de 1960.
Aos 18 anos, Dennis passou a ter como companheiro de trabalho Jochen Rindt.
O trabalho do inglês impressionou tanto o campeão póstumo que quando Rindt saiu da Cooper, levou Dennis com ele para a Brabham.

Ron Dennis permaneceu na equipe Brabham até esta ser vendida e, posteriormente, dedicou-se a outras categorias. Fundou o Project Four Racing e obteve grande sucesso no final da década de 1970. Devido aos méritos, sua equipe ganhou créditos com patrocinadores e se tornou lucrativa.

Com o nome do inglês ainda mais forte, era inegável o retorno de Dennis ao Olimpo do automobilismo. Em 1981, ele voltou à F-1 ao lado de John Banard. E o resto é glória.

De uma equipe que não conquistava uma vitória desde 1977, a McLaren ficou com o 4º lugar no mundial de construtores. Em 1982, Dennis persuadiu o então bicampeão Niki Lauda para voltar às pistas. A equipe venceu o campeonato com o austríaco e teve Alain Prost como vice-campeão três após o retorno do inglês. Nos anos seguintes, o Professor se consagrou campeão duas vezes consecutivas.

A hegemonia da equipe aconteceria no ano de 1988 com 15 vitórias em 16 etapas do calendário. Quer mais? A McLaren venceu o campeonato de construtores com 134 pontos à frente da Ferrari.

Em 1990 e 1991, a McLaren venceu com Ayrton Senna. É certo que a equipe deixou a desejar nos anos seguinte e isto foi o estopim para a saída do tricampeão brasileiro.

Visando o futuro de sucesso, Dennis levou Adrian Newey para Woking e novamente ganhou campeonatos com Mika Hakkinen em 1998 e 1999. A McLaren foi a única equipe que conseguiu incomodar a Ferrari na era Schumacher.

No novo milênio, Dennis trouxe a revelação da Sauber, o jovem Kimi Raikkonen, para integrar a sua equipe. Em 2005, o finlandês foi o vice-campeão da temporada com 112 pontos e sete vitórias.

Mais uma vez, Ron Dennis teve de aturar a competitividade de seus dois pilotos, agora de Fernando Alonso e Lewis Hamilton. Se 1988 e 1989 foram anos difíceis, em 2007 Ron viu o sonho de fazer parte de uma equipe campeã ir por água abaixo com a falta de maturidade dos volantes birutas. O piloto britânico seria campeão no ano seguinte numa batalha aguerrida contra Felipe Massa. Detalhe: Hamilton tinha vínculo com a McLaren desde 1998, quando ele tinha apenas 13 anos. (É possível ver Ron falando sobre Lewis e vice-versa aqui).

Quem vê (ou viu) o estado do McLaren nos últimos anos culpa Ron Dennis sem dó ou piedade. As relações com a Mercedes se tornaram pó e hoje, a equipe padece com a Honda.

Sobre os outros erros apontados em direção a Ron Dennis, eis algumas verdades: Adrian Newey não trabalharia em Woking para sempre; Lewis Hamilton tem sede de títulos e vitórias, claro que ele não passaria o resto de sua carreira para ajudar seus compatriotas a construir a máquina perfeita; apostar na Honda pode ter seus fundamentos. Os japas têm poderio tecnológico, mentes jovens e brilhantes, futuro promissor e a parceria antiga de sucesso.

A F-1 se aproxima do mercado de trabalho neste quesito: ignora o conhecimento dos mais velhos e os subestima. Ron Dennis pode não ser o mais indicado para liderar a equipe na era “moderna”, porém, conhece o automobilismo como poucos.

Em 2016, os sócios da equipe afastaram Ron Dennis contra a sua vontade. Um tanto doloroso para alguém que foi fiel ao seu time, vestiu a camisa e transformou a equipe garagista de Bruce McLaren num conglomerado automotivo que produz tecnologia para o esporte a motor e carros de rua.

10 campeonatos de piloto e 7 de construtores. Trabalhou ao lado de Lauda, Prost, Senna, Hakkinen e Hamilton. Button, Coulthard e Montoya não foram campeões com a McLaren, mas estão no hall dos bons pilotos.

Segundo as minhas contas (já aviso que sou de humanas!), sob o comando de Dennis, a McLaren alcançou o número de 136 pole positions e 145 vitórias.

Se alguém deveria sair da F-1 de cabeça erguida, esta pessoa deveria ser Ron Dennis.

Os volantes mais birutas do mundo

Pelo título, é possível notar que a pessoa que vos escreve é apaixonada por desenhos animados. Uso diversas animações para explicar minhas opiniões e farei isto agora. No filme Ratatouille da Pixar, o crítico do jornal é exigente demais com os restaurantes por adorar a gastronomia. Neste caso, eu sou o Anton Ego e Vettel, a gastronomia. Compreendem?

Ainda é muito cedo para cantar a bola do pentacampeonato ou de um possível tetra. A Fórmula 1 em 2017 é tão misteriosa e apta para nos surpreender em razão de sua competitividade e certo equilíbrio entre as maiores equipes montadoras do grid. O crescimento da Ferrari, em comparação ao ano passado, é brilhante. A Mercedes continua grande e poderosa. Se a temporada até agora vinha sendo disputada de uma maneira bela e limpa, o GP do Azerbaijão nos espantou – agora de forma negativa.

No trânsito casual das grandes cidades, o motorista que colide o carro da frente é considerado culpado. Logo, Vettel errou em Baku.

Hamilton, como líder da prova, pode e deve mandar o ritmo na corrida sob vigilância do Safety Car. Se Hamilton houvesse desacelerado (FIA já comprovou que não houve frenagem), ele ainda estaria em seu direito constatado no regulamento. No mínimo, Vettel deveria ter prestado atenção.

O segundo toque do alemão agravou a situação. Bater, propositalmente, em Hamilton foi ignorância. Voltou a ser aquele moleque que bate em Webber e ainda se livra da culpa. A diferença entre aquele Vettel e este de agora é a somatória de 45 vitórias e 4 títulos. Este não é um comportamento esperado de qualquer piloto da categoria mor do automobilismo, quem dirá de um tetracampeão.

Medo não justifica ações antidesportivas. A Ferrari sentiu o peso da corrida do Canadá e a possível derrota em Baku. Além da futura troca do turbocompreensor que será convertida em punição. Não é possível que o alemão tenha problema com o equipamento até o fim da temporada. Na tabela, a polêmica ainda ficou doce para o lado de Sebastian Vettel. Sorte dele e da equipe que viram Lewis Hamilton perder a chance de subir ao pódio por falha da Mercedes. A diferença entre o tedesco e o inglês é de 14 pontos.

Para ver o copo meio cheio, numa visão mais otimista deste Grande Prêmio, Daniel Ricciardo deu o ar da graça ao vencer após ter sofrido com uma colisão no início da corrida. Trouxe pontos para a RBR após o abandono de Verstappen, que não tem boa maré desde quando cutucou os brasileiros com vara curta. Será apenas coincidência?

E o que dizer de Lance Stroll? Quem mais vinha errando, surpreendeu, cativou o público e foi eleito o piloto do dia. Baku não é uma pista fácil, poucos pilotos a conhecem e apesar do traçado estreito, o garoto desencantou e por um erro bobo, perdeu o segundo lugar para Bottas.

Era preciso uma corrida maluca para Massa ter chances reais de vencer até a quebra do amortecedor e finalmente, Fernando Alonso marcou na temporada.

As corridas seguintes mostrarão o desenrolar desta história que além de mostrar imaturidade dos dois pilotos pela provocação de um e o retrucar do outro, também manchou a reputação de Vettel.

Sei que Sebastian Vettel é um bom piloto e tenho provas para tal afirmação: manteve-se firme para conquistar o seu primeiro título; levantou, sacudiu a poeira e deu a volta por cima para se tornar o mais jovem tricampeão e até mesmo na adversidade, teve compostura nas provas de 2014. Aquela disputa pelo segundo lugar em Cingapura foi muito boa.

Fórmula 1 e futebol são amores da minha vida e associar um ao outro é muito fácil nesta situação. Numa conversa qualquer de boteco, é claro ver que Zidane é muito mais lembrado pelo erro na Copa de 2006 do que na seleção vitoriosa de 1998. E naquele ano, os azuis eram muito bons de bola. Espero que no final desta temporada, os acertos de Sebastian Vettel se sobressaiam diante de seus erros.

Porque eu sei que é amor

Amor não pode ser representado por tremores na mão. Não é a troca de olhares. Muito menos as loucas fantasias ou o gaguejar entre uma palavra e outra. Como diz uma grande amiga, essas sensações poderiam ser de algum tipo de nervosismo, como o suor frio em uma apresentação de seminário, ou pressão baixa. Definitivamente, amor não é nada disso que os filmes de Hollywood costumam nos contar.

Ontem, assim como todos os petrolheads, também me emocionei com a imagem de Lewis Hamilton recebendo o capacete de Ayrton Senna. Talvez eu tenha chorado demais por ser demasiadamente sensível e por ter nascido com o extremo azar de ter ascendente em Câncer. Enquanto muitos racionalizam, eu apenas sinto e incrivelmente, acredito que a grande maioria das minhas lágrimas esteja relacionada a este circo injusto, corrupto, porém apaixonante da Fórmula 1.

Nós, seres humanos, temos uma necessidade quase vital de se inspirar em alguém com feitos extraordinários. Do cinema, das artes plásticas, da dança, do teatro, da música, da literatura e claro, do esporte. Quando as vidas de um fã e do ídolo se misturam é algo tão lindo e pueril como algodão doce nas festas da pré-escola. E por falar em creche, infância é uma fase da vida em que muitas pessoas desenvolvem seus interesses, escolhem alguém para admirar e vivem com este carinho pelo resto da vida. E a vida do pequeno garoto do subúrbio da Inglaterra não foi diferente.

Aos 11 anos, Lewis perdeu o seu ídolo, mas a inspiração persistiu. O pequeno prodígio se tornou tricampeão assim como Ayrton e em um circuito com uma curva batizada de Senna, o garoto suburbano atingiu a mesma marca do brasileiro: 65 pole positions.

Após o treino classificatório, Lewis Hamilton recebeu o capacete de Ayrton Senna da temporada de 1987. O inglês estava segurando uma garrafa e pelo nervosismo, o objeto foi de encontro ao chão. Lewis Hamilton abraçou, beijou, chorou e não largou o casco amarelo. E apesar de seus três títulos, 65 pole positions e 56 vitórias, Hamilton ergueu o presente como se fosse o maior de todos os prêmios e troféus recebidos em sua carreira. Apesar de todas as diferenças entre o piloto e eu, talvez eu consiga encontrar uma possível resposta para tamanha emoção.

Assistir Fórmula 1 não é apenas sentar em frente à televisão e ver carros, passando, batendo ou rodando em uma pista. É muito além. A F-1 tem o imenso poder de me levar a um passeio da escola onde eu sabia o número de títulos e vitórias do Ayrton Senna quando o instrutor do museu perguntou a classe quem era o piloto de macacão branco e vermelho na parede. E no mesmo passeio, eu fui a única garota a brincar no autorama e não tive a vergonha de escolher o carro vermelho para tentar imitar o meu ídolo, então piloto da Ferrari. Era 2004, ano do hepta, e eu não queria saber das outras brincadeiras quando eu podia sentir um pouco da competitividade que o meu herói demonstrava tão bem quando pilotava.

Diferente de Hamilton, eu não sou boa nas pistas. Nem mesmo as de autorama. Eu perdi aquela corrida.

É lembrar que o dia de corrida era quando minha mãe e eu podíamos fazer algo juntas. Café, pão com queijo, iogurte de morango e mais um pódio para Michael Schumacher. Ela não gostava do alemão, mas eu sorria e pulava vestindo meu pijama de morango. É sentir a dor da minha mãe ao ter a carteira com foto autografada de Senna furtada. É lembrar as nossas preferências, os pilotos que mais gostamos e entrar em discussões longas. Saber que os domingos são os nossos dias especiais.

Ir a Interlagos e ouvir o ronco dos motores é uma dose altíssima de emoção. É pensar que no dia frio que eu nasci, Mika Hakkinen conquistou a pole em Mônaco. Pensar que talvez vermelho seja a minha cor favorita por até hoje eu continuar amando e venerando o homem da famosa escuderia italiana. É estar na roda de conversa com os colegas de classe juntos com o professor de matemática e ter o poder de profetizar que o “loirinho da Red Bull” seria o campeão em 2012, aqui no Brasil. No mesmo ano do tri do Vettel, ganhei um amigo por tanto falarmos de Fórmula 1.

Se Hamilton chora, é possível que ele chore por Ayrton Senna, pelas vitórias que ele viu do brasileiro, mas acredito que ele se emocione com ele mesmo. Debaixo do macacão branco da Mercedes, pulsa o coração do pequeno garoto, o menino negro nas pistas do Velho Mundo e por muito tempo o único representante afro da F-1. Infância simples, poucos recursos para investir num esporte tão caro e com casa humilde onde ele deitava num sofá-cama, assim como eu também dormia.

De família humilde e do bullying para estrear na equipe do seu país e onde seu ídolo foi três vezes campeão, o salário astronômico, roupas de grife, viagens aventureiras, cachorros bem cuidados e Shelby Cobra na garagem. São vitórias suficientes para qualquer um chorar em frente às câmeras.

O que a Fórmula 1 fez e continua fazendo com Hamilton é mostrar como o ser humano vence as suas adversidades. Dificuldades econômicas ou sociais. Presenciar o mundo do automobilismo para mim é afrontar cada um que disse que a minha opinião não tem tanta relevância pelo meu gênero. Desafiar o machismo e ir à luta por tantos direitos que as mulheres ainda não conquistaram.

Em cada Hamilton, Alonso, Vettel, Gabriela e tantos outros amantes deste esporte há um Thomas. O garotinho fã de Kimi Raikkonen a chorar na arquibancada e a emocionar todos com seu sorriso gigante, diferente de seu piloto favorito. O francês é ainda muito pequeno para entender como jogam os peões do automobilismo, mas quando crescer, saberá que foi protagonista por um dia de um capítulo a parte da Fórmula 1. Após anos de distância, a modalidade se aproxima de seu público e não existe algo mais belo e democrático do que o esporte. O Thomas de hoje pode ser o ídolo de amanhã.

Não era o amor o sentimento capaz de mover montanhas? Bem, acredito que as minhas montanhas e as de Hamilton bailam e gozam da vida alegremente em cada milímetro de um circuito.

O marasmo da festa

O Grande Prêmio de Mônaco foi um marco importantíssimo para a história da Ferrari. Não apenas por quebrar a velha marca da dobradinha no pódio em 2010 e a última vitoria no Principado ainda no longínquo ano de 2001 por Michael Schumacher, the great. Mas sim pela tática – conhecida por todos nós – da Ferrari escolher seu piloto a ser favorecido. E de alemão para outro alemão, a escuderia deixou o seu recado.

Não que Sebastian Vettel seja um piloto que não mereça um bom tratamento. O tedesco já provou há muito tempo que tem talento diversas vezes em sua carreira, afinal ter como palco da primeira vitória o circuito de Monza na pista molhada não é para qualquer um.
E esta vitória em Mônaco, Sebastian soube como economizar os pneus já usados no fim de semana e as famosas voltas rápidas antes do pit-stop inspiradas em seu ídolo maior, Michael Schumacher (Que nostalgia, minha Nossa Senhora!).

Partindo para a visão mais técnica e lógica, o Principado foi o sonho de Arrivabene e companhia. As baratas vermelhas foram as mais rápidas no treino livre e as mais velozes no classificatório, porém, algo não estava certo. O piloto errado estava na ponta.
Com o alemão e o finlandês no pódio, a Ferrari marcaria pontos importantíssimos para o campeonato de construtores, mas com o título de pilotos em jogo, não seria a hora especifica para ser um tanto quanto “gentil” com o homem de gelo, ainda mais com o fato de que Vettel já teve quatro trocas do turbocompressor. Mais uma e o alemão recebe castigo.

Voltando ao piloto principal do texto (mas não de sua equipe), muito se tem falado sobre merecimento em receber privilégios, afinal, desde que Vettel chegou à Ferrari já fez o coração do tifosi bater mais forte com palavras em italiano, o fator Schumi e o orgulho rosso. Já Raikkonen, defendendo seu título de homem de gelo, é homem de quase ou nenhuma palavra, não tem interesse em falar italiano e raramente sorri. Kimi voltou à equipe, onde foi campeão há dez anos, para correr. E há algo de errado nisso?

Kimi Raikkonen ainda corre, meus amigos. Recordam-se do treino classificatório do GP do Brasil do ano passado? O próprio narrador mais famoso da TV brasileira bradou aos quatro mares que Kimi Raikkonen havia colocado Sebastian Vettel no bolso. Raikkonen ficou com o terceiro lugar no grid de largada em Interlagos e durante a temporada, conquistou dois terceiros lugares: um na Rússia e outro na Áustria.

É certo que Sebastian Vettel terminou a temporada de 2016 à frente de seu companheiro, mas em relação ao que poderia ser feito, o desempenho do alemão não atingiu as expectativas. E se Margherita, o carro da temporada passada, deu problemas para Vettel, o que será de Kimi Raikkonen que recebe um carro inferior e estratégias pífias desde o seu retorno à F-1.
Logo, se Kimi conquista o terceiro lugar ou a pole position, como fez no Principado, é algo para se aplaudir.

Cair na falsa lorota que Ferrari não quis dar o lugar para o Vettel é inocência demais. Quiçá falta de conhecimento sobre táticas e políticas do circo do automobilismo. O normal e correto seria a Ferrari chamar Vettel em seguida após o pit-stop de Raikkonen, não é? Mas a equipe optou por soltar o finlandês no tráfego com Button e dar tempo suficiente para Vettel abrir vantagem sob os demais. Com tecnologias, softwares e tantos outros dispositivos desta F-1 moderna, é simples decidir como e quando será o pit-stop. Talvez os ares luxuosos e elitistas do Principado tenham ajudado a Ferrari a se inspirar em deixar a inversão dos pilotos com um toque de glamour.
E antes que alguém diga que Kimi Raikkonen não se adequou ao carro de 2017 e está sem motivação, eu recomendo que use os mesmos argumentos com Sebastian Vettel. As temporadas de 2014 e 2016 foram fraquíssimas em relação ao histórico do tetracampeão.

Portanto, a reação de Kimi no pódio tem fundamentos. E se o merecimento for necessário para livrar o réu que a verdade seja dita: se Raikkonen foi o pole, o homem tinha gabarito para conquistar (ou congelar) a sua suposta 21ª vitória.

Marias e Clarices

Com o ambiente majoritariamente masculino da F-1, é comum ouvir aquele famoso clichê de “atrás de um grande homem, há sempre uma grande mulher”. Perdoe-me quem concorda ou vê sentido nesta frase, mas eu não gosto deste teor machista altíssimo, afinal, é só colocar a cabeça para raciocinar e entender que o intuito da mensagem é mostrar que o homo sapiens de cromossomo XX tem de estar atrás do XY. Como se o sucesso do homem fosse o suficiente para a vida de uma mulher.

Sempre admirei histórias de mulheres que rompem com paradigmas da sociedade, que ousam e vão de encontro ao machismo. Coco Chanel, Rachel de Queiroz, Lygia Fagundes Telles, Clarice Lispector, Josephine Baker e tantas outras que lutaram por seus direitos e não são reconhecidas publicamente.

Se na sociedade a mulher lutou e conseguiu mais espaços, a maior categoria do automobilismo parece um tanto quanto estagnada. Não é segredo para ninguém que a representatividade feminina da F-1 é motivo de vergonha.

Como uma modalidade exclusivamente europeia se transformou em um evento global com atrações internacionais e patrocínio de grandes corporações continua batendo na tecla da presença fixa de grid girls? E ex-dirigente que defendia categoria exclusiva para mulheres? E os pilotos que duvidavam (e provavelmente ainda duvidam) da capacidade de uma piloto no volante? Claro que há jornalistas, mecânicas, engenheiras, líderes de equipe, torcedoras. O número destas participantes aumentou consideravelmente nos últimos anos, mas a dificuldade é dar a oportunidade para entregar carro, macacão e balaclava nas mãos de uma mulher.

A Fórmula 1 tem uma síndrome trágica de não acompanhar o ritmo da transformação social, a exemplo de existir apenas um piloto negro numa modalidade com mais de sessenta anos.

E pela dificuldade em encontrar mulheres em cockpits, a participação feminina vem das esposas destes homens que põem a vida em risco aos domingos. Seja hoje com bolsas de grifes e headphones das escuderias ou nas décadas passadas às beiras de muros dos antigos traçados.

Vistas como objeto decorativo, pouco se conhece sobre a vida de cada uma delas. A discussão em voltas destas esposas – atuais ou do arco da velha – repercute acerca da beleza, a graciosidade.  Seria possível imaginar problemas e superações atrás de tanto luxo, glamour e felicidade na cobertura midiática de um Grande Prêmio? Veremos…

O caso da família Hill é diferente. No ano de 1950, Bette conheceu Graham no distrito de Hammersmith. Graham Hill ainda prestava serviços para a marinha de seu país e com amigos em comum na tripulação, os dois engataram um romance. Bette e Graham se casaram em 1955 e tiveram três filhos: Brigitte, Samatha e Damon.

Bette viu seu marido se consagrar campeão nos anos de 1962 e 1968. Também esteve ao lado do Mr. Monaco quando este conquistou o título da Tríplice Coroa, tendo vencido as 24 Horas de Le Mans, 500 Milhas de Indianápolis e seu excelente histórico na F-1.

A vida de glamour, a garrafa de champanhe e a coroa de louros parecem pífias aos meus olhos se comparar ao medo da morte. O automobilismo ainda é perigoso e por décadas foi considerado um esporte sanguinário. Bette poderia finalmente suspirar com a aposentadoria de Graham em 1975 se não fosse pelo acidente aéreo de seu bimotor particular em novembro do mesmo ano.

Graham Hill faleceu aos 46 anos de idade após ter fundado a sua própria equipe, a Embassy Racing. Além de recordes, títulos e saldo devedor, Graham Hill deixou para a esposa o desafio de gerir a própria vida.

Em entrevista, Damon disse que a função de sua mãe na família era deixar tudo conforme o velho Hill desejava. O campeão de 1996 ainda conta que o pai não economizava, vivia aos luxos e deixou enormes dívidas. Com a morte do patriarca, Bette teve de “vestir as calças” e ir à luta para se livrar da penúria. A viúva ainda não tinha conhecido o pior de sua vida. Sem um plano de seguro para o avião, foi necessário vender propriedades para pagar indenizações às famílias das outras vítimas.

A morte de Hill despertou no jovem Damon a vontade de explorar o automobilismo, porém se não fosse pela determinação e apoio de sua mãe, o sonho em seguir o caminho do pai poderia ter ido por água abaixo. Nas próprias palavras de Damon, Bette Hill foi e ainda é muito leal.

Pois bem, sou ser humano do gênero feminino e fui criada por uma mulher, portanto, vi de perto o desafio de desempenhar o papel de pai e mãe ao mesmo tempo. Reconheço o esgotamento físico e mental do que a nossa sociedade chama de “pãe” – outro termo que também não concordo. Sou contra qualquer tipo de fantasia ou romantização para sobrecarregar a mulher numa maternidade solitária em casos de abandonos, o que claramente não foi o caso da família Hill.

Infelizmente, não sei como vive a viúva de Graham. Não há informações e muito menos homenagens pela coragem de reerguer a família e criar seus filhos. Paralelo ao vigor de Bette Hill, há o caso da Yolanda, da Sandra Rosa Madalena, da Carolina, da Eleanor Rigby, da Ana Júlia, da Maria e de tantas outras mulheres da modernidade que são donas de suas próprias vidas e garantem a independência. Como canta (ou encanta) Milton Nascimento, é a história de uma gente que ri quando deve chorar e não vive, apenas aguenta.

Um passeio finlandês

Eu sei que um domingo com Fórmula 1 é sempre melhor, mais bonito, agradável e até a cidade russa entendeu este raciocínio com 23°C, céu ensolarado e um calorzinho bom para o país da vodca, mas o Grande Prêmio da Rússia foi como as últimas corridas já nos mostraram ser a essência de Sochi: desinteressante.

Mal tinha começado a corrida e Alonso teve de abandonar ainda na volta de apresentação. Cada vez mais a parceria McLaren-Honda vem desanimando o espanhol que terá como próxima aventura (ou decepção) a corrida em sua terra natal.

E mais rápido do que a presença de Fernando Alonso foi o finlandês Valtteri Bottas, que na largada, aproveitou-se para passar seu compatriota, Kimi Raikkonen, e contornar a curva à frente de Sebastian Vettel.

Ainda na primeira volta no resto do pelotão, Grosjean foi como um torpedo em direção a Jolyon Palmer e este foi o motivo que levou o Safety Car para a pista.

Após a relargada, nada mudou. A fila de carros continuava a mesma com Bottas, Vettel, Raikkonen, Hamilton e Verstappen.

Com problemas de freio, Daniel Ricciardo teve de abandonar a prova na quinta volta. Um empecilho comum do circuito de Sochi, pois voltas depois, Lewis Hamilton e a sua fortíssima Mercedes também sofreram com o superaquecimento de freios.

Desde a relargada até a parada para os boxes, a corrida se tornou muito cansativa. Os pilotos estavam distantes e exceto pela ultrapassagem de Bottas no início da prova, não houve mais nenhuma disputa por posição. Um episódio a parte nesta nova e cativante Fórmula 1 de carros rápidos e com disputa de campeonato entre equipes diferentes.

A Pirelli, distribuidora de pneus, previa que o pit stop seria aproximadamente na 20º volta e a expectativa era de apenas uma parada. O primeiro a parar foi Wehrlein. A Ferrari e Mercedes ficaram à espera de quem colocaria os seus cavalos na chuva primeiro e a equipe alemã decidiu chamar Bottas para o pit stop na 28ª volta.

Com o finlandês da Mercedes fazendo sua parada, Vettel pulou para o primeiro lugar. Logo em seguida foi a vez da Ferrari com Kimi Raikkonen, que assim como Bottas, também saiu de pneus ultramacios.

Na volta de número 31, Lewis Hamilton foi para o pit stop e o único piloto da frente sem parar era Sebastian Vettel.

O alemão tinha quase vinte segundos de vantagem sobre Valtteri Bottas, mas seu pit stop deu com os burros n’água com a chance de permanecer sendo líder da prova. A Ferrari continua com problemas em paradas e o mecânico deixou isto bem claro quando se atrapalhou com o pneu dianteiro esquerdo do carro. Vettel voltou 4s6 atrás de Bottas.

Com pneus mais novos, a esperança de Sebastian Vettel era ultrapassar o líder da prova. Para criar expectativa no peito de cada ferrarista, Bottas fritou o pneu e perdeu vantagem para o alemão. A distância entre os dois pilotos era de 2s2. Na 42ª volta, os dois estavam separados por 1s5.

Direto do pit lane, o engenheiro de Vettel mandava a mensagem para o seu piloto: “Continue pressionando, ele vai cometer algum erro”. E para acabar de uma vez com a esperança de todos da equipe italiana, Bottas conduziu sua Mercedes até o limite e não deixou Vettel sonhar com a possibilidade de abrir a asa.

Última volta. No meio do caminho tinha um Felipe Massa. Tinha um Felipe Massa no meio do caminho. Talvez Vettel nunca tenha sonhado em ser poeta. O alemão sempre diz que era péssimo quando estudava sua língua mãe nos tempos de escola, mas um poema cairia bem melhor para demonstrar a sua raiva.

O piloto brasileiro era o retardatário da pista e Bottas logo se livrou dele, porém, Sebastian Vettel ficou atrás de Massa e perdeu meio segundo pela falta da tão amada bandeira azul.

O resultado destes segundos de agonia para o alemão? Mesmo sem vencer, Vettel mostrou o dedo.

Apesar da falta de emoção, a quarta etapa da temporada de 2017 trouxe a primeira vitória de Valtteri Bottas na categoria. O finlandês não vencia uma prova desde 2011 ainda na Fórmula 3 inglesa.

Desde o GP da Austrália de 2013, o hino da Finlândia não tocava para o piloto no lugar mais alto do pódio.

Valtteri Bottas é o 107° piloto a conquistar uma vitória na F-1 e o quinto finlandês a vencer na categoria.

No final da corrida, o saldo ficou positivo para o líder do campeonato. Sebastian Vettel tem 86 pontos e Lewis Hamilton, que não subiu ao pódio, está com 73. Logo atrás, aparece Valtteri Bottas com 63.

É a quarta etapa da temporada com três vencedores diferentes. Disputa a trois? Todos esperamos que sim.

Gina davanti

Seguindo a lógica de um chefe de equipe, se você tem uma dobradinha na ponta do grid na largada é sinal que você voltará com o troféu da vitória para a casa. Certo? Errado.
O Grande Prêmio do Bahrein mostrou a nova tendência na temporada de 2017: tudo é possível. O abismo entre a Mercedes e as outras equipes da Fórmula 1 no treino classificatório no final de semana mostrou o quão rápido e potente é o carro da escuderia alemã, mas por diversos problemas, sejam eles de DRS, estratégia, pressão dos pneus e até mesmo o bom desempenho da Ferrari atrapalharam a semana santa de Toto Wolff.
Aos 27 anos, Valtteri Bottas largou pela primeira vez na pole position e manteve a sua posição, enquanto seu companheiro de equipe, Lewis Hamilton, foi ultrapassado por Sebastian Vettel. Na primeira volta, o pelotão era seguido de Bottas, Vettel, Hamilton, Verstappen, Ricciardo, Massa, Hulkenberg, Raikkonen, Grosjean e Ocon. Além da surpresa da ultrapassagem do alemão da Ferrari, os fãs da Fórmula 1 também ficaram boquiabertos com a largada limpa de Jolyon Palmer da Renault.
Na volta de número 5, Raikkonen e Massa disputavam pela sexta colocação. O puxão de orelha do velho Marchionne resultou na ultrapassagem do finlandês sob o piloto brasileiro. Mais a frente, os três primeiros colocados estavam separados por apenas 6s e o líder da prova segurava o ritmo enquanto Hamilton tentava alcançar Sebastian Vettel.
A estratégia da Ferrari era chamar o seu piloto para o box antes dos rivais e assim a escuderia fez quando Sebastian Vettel parou na 11ª volta. Logo em seguida, foi a vez de Max Verstappen, que também optou pelos pneus supermacios, parar. Mas a diversão do jovem não durou por muito tempo, o holandês bateu contra o muro e teve de abandonar a prova. E outro “bebê da Fórmula 1” também saiu da prova, o canadense Lance Stroll sofreu com o toque de Carlos Sainz.
Com os detritos na pista em resultado da colisão entre Stroll e Sainz, o Safety Car foi acionado. Vettel se tornou líder da prova quando os pilotos partiram para o pit stop. Lewis Hamilton reduziu a velocidade sem necessidade e foi punido por 5 segundos.
Já na relargada, Bottas puxou, acelerou, mas não conseguiu ultrapassar Vettel e ainda teve de levar um “X” do alemão.
Para deixar amargo o domingo de Páscoa do finlandês, a Mercedes pediu para Bottas deixar Hamilton passar com esperança de que o inglês pudesse brigar pela primeira posição. A equipe alemã quebrou um mandamento, rompeu um laço para abrir caminho ao inglês. Não é necessário Wolff dar escusas ou convencer os jornalistas sobre condições estratégicas, nós já conhecemos este jogo.
Sebastian Vettel fez sua segunda parada na volta de número 33, três voltas depois, já marcava o tempo mais rápido da prova de 1m34s004 e logo seria ultrapassado por Hamilton. O inglês parou na 41ª e optou por pneus macios de um conjunto já usado no final de semana.
Quase. Palavra de cinco letras que resume o desempenho da McLaren neste final de semana do Bahrein. Vandoorne nem sequer participou da prova e a duas voltas do fim, Fernando Alonso teve problemas com o motor e abandonou. “Não desejo a ninguém uma situação destas. O GP do Bahrain mostrou como é a situação”, lamentou Alonso.
O feriado é cristão, mas é a McLaren que precisa ressuscitar. Quem sabe o espanhol voltará a fazer milagres nas 500 milhas de Indianápolis.
Se alguém propõe a tese de que a punição de Hamilton ajudou a vitória ítalo-germânica, a teoria será quebrada, pois Sebastian Vettel cruzou a linha de chegada com 6,6 segundos de vantagem sobre o inglês. A vitória deste domingo se deu graças ao trabalho em perfeita sincronia de Vettel e Ferrari. Seria errado demais afirmar que os 5 segundos foram cruciais.
A alegria do alemão não poderia ter razão melhor. Ele saiu na frente e está com 7 pontos a frente de seu principal rival da temporada. Para a alegria dos tifosi e da família em Maranello, la macchina di Seb funziona.

O número da sorte

Expectativas foram feitas para serem superadas e que assim seja na Fórmula 1. Este Grande Prêmio da China tirou o fôlego de muitos e deixou outros boquiabertos com o espetáculo em Xangai. Depois das incertezas em Albert Park, a segunda etapa da temporada de 2017 garantiu aos petrolheads muitas emoções e ultrapassagens.
Na largada com pista molhada, o único a ousar foi Carlos Sainz com a sua escolha de supermacios contra os dezenove pilotos de pneus intermediários. Hamilton manteve sua posição contra a investida de Vettel em posicionar sua Ferrari à esquerda do colchete. Kimi Raikkonen foi ultrapassado por Daniel Ricciardo e Felipe Massa perdeu posições.
Thumps up para Fernando Alonso que conduzindo como um animal, saiu da 13º posição para a 8ª.
Lance Stroll, pobre rapaz, mal teve tempo de desfrutar a verdadeira emoção do automobilismo, fez uma confusão com Sergio Perez e foi parar na caixa de brita. Adeus para o canadense!
A saída do novato fez Toto Wolff sorrir, pois se na Austrália a Mercedes deu o pirulito na boca de Sebastian Vettel, neste domingo foi a vez de retribuir. O alemão foi para o box durante safety car virtual. Da saída do pit stop, Vettel voltou em sexto lugar e dali teve de remar muito para chegar à maré.
Na quarta volta, Giovinazzi bateu e desta vez, o verdadeiro Safety Car – o real e físico – entrou na pista.
Talvez se Giovinazzi não tivesse se chocado contra o muro e o Safety Car não tivesse entrado na pista, provavelmente Vettel conseguiria lutar pela vitória contra Lewis Hamilton.
Na relargada, ponto positivo para Verstappen: de 16º lugar pulou para terceiro ao ultrapassar Kimi Raikkonen. Encantava todos na pista ao costurar os diversos pilotos na largada e mostrar sua competência em crescer na adversidade, o holandês.
Enquanto Lewis Hamilton fazia sua corrida à parte sem ameaças, seu companheiro de equipe, Valtterri Bottas, parecia viver ainda nos tempos da Williams na 11ª posição. O finlandês fez tempos bons e marcou voltas mais rápidas, mas pecou em rodar na pista. Mais a frente, a disputa se tornava interessante com Verstappen, Ricciardo, Raikkonen e Vettel. Todos, literalmente, muito próximos.
Na escuderia italiana, Raikkonen esbravejava pelo rádio acerca de seus problemas no carro e era obrigação de Vettel ultrapassar seu companheiro. E assim o fez, após algumas voltas de perseguição, Sebastian utilizou o mesmo ponto de ultrapassagem onde duas voltas depois alcançaria Ricciardo. O australiano e o alemão estavam colados, mostraram que dois corpos podem dividir o mesmo espaço na roda com roda e Vettel saiu na frente pela briga da terceira colocação.
Se em voltas anteriores, Verstappen mostrava talento. Na 29ª ele deixou claro que é um grande piloto, está no caminho certo, mas ainda tem de amadurecer. Max errou na freada, fritou pneus e Vettel não desperdiçou a chance. Em seguida, o holandês voador foi para o pit stop e voltou em sexto lugar. Sorte de Lewis Hamilton que conseguiu onze segundos de vantagem sob seus vassalos.
La suerte está echada. Ao menos estava quando Carlos Sainz e Fernando Alonso duelaram bravamente. Além de perder a posição para o novato, o príncipe das Astúrias teve de se despedir da prova com problemas na sua McLaren (de novo!). Adendo: Vandoorne saiu na 17ª volta com problema na distribuição de combustível.
Na turma da frente, Vettel parou na volta de número 35 para trocar os seus pneus do início da prova. Na 37ª, Hamilton fez seu pit stop e voltou na liderança na frente de Raikkonen. E somente na 40ª volta, o finlandês foi para o box.
Com a parada de Raikkonen, Vettel pulou para o segundo lugar. O alemão ainda tentou lutar pelo lugar mais alto do pódio, porém, Hamilton cruzou a linha de chegada com 8 segundos de vantagem sobre o alemão.
Foi uma corrida interessante e divertida. Podemos ficar contentes com os resultados de hoje. As condições eram difíceis no começo, e nunca se sabe o que pode acontecer nesses momentos. Tentei perseguir Lewis ao máximo, mas tive a sensação de que cada vez que me aproximava ele conseguia responder bem.”, comentou Vettel após a corrida.
Nas voltas finais, o duelo foi entre os pilotos da Red Bull, Max Verstappen e Daniel Ricciardo. O sorridente australiano puxou, acelerou, pôs pressão e não conseguiu ultrapassar seu companheiro de equipe. Max fechou o pódio.
Se na China quatro é o número do azar, o mesmo não pode ser dito para o piloto do carro 44. Apesar de não ter vencido a corrida de estreia, Lewis Hamilton não poderia ter começado o campeonato de forma melhor. Ele reinou durante o final de semana. Garantiu a pole, fez a volta mais rápida e venceu de ponta a ponta. Mais um Grand Chelem do tricampeão inglês que está a caminho do tetra.
Em suma, o Grande Prêmio da China foi muito bom porque esta nova Fórmula 1 é encantadora. Se a Mercedes cometer um erro bobo que seja, a Ferrari estará pronta para se aproveitar. No português claro: a Ferrari conseguirá muito bem segurar a peteca, como fez na Austrália.
Hamilton e Vettel estão empatados. 43 pontos cada. Pela primeira vez desde 2012 a disputa está entre duas equipes: Ferrari e Mercedes. É, acho que valeu a pena reclamar de 2016.

Lasciatemi guidare

Neste domingo, os petrolheads finalmente puderam provar um gostinho da categoria mais popular do automobilismo e desta vez a dose foi mais forte. Com carros maiores e mais velozes, a Fórmula 1 iniciou a temporada de 2017 com pé direito e alguns problemas técnicos para resolver.
A corrida começou tranquila com o pelotão da frente a segurar suas posições, sendo Massa o único piloto a conseguir uma posição ao ultrapassar Grosjean. Na turma do fundão, Ericsson e Magnussen bateram, mas conseguiram voltar para a pista.
Logo de início, a ousadia de Vettel (ou seria sede de vitória?) deixou os aficionados de automobilismo colados na cadeira ao ver o alemão tentar se aproximar de Lewis Hamilton, o pole e líder da prova. O tempo mostrou que apenas atacar não seria certo, o piloto da Ferrari precisaria de uma estratégia e ele encontrou uma no baú do tempo.
Sebastian Vettel tirou o truque “Michael Schumacher” da manga. Desacelerou e esperou Hamilton ir aos boxes para poder dar o ar de sua graça. E assim fez. Quando o inglês parou na 18ª volta, Sebastian colocou o pé no acelerador para dar voltas mais rápidas, postergar o pit stop e ter um pneu em melhor estado para o fim da corrida. Algo que não foi necessário.
Para a alegria dos ferraristas, Hamilton voltou atrás de Verstappen e nós, fãs de velocidade, já sabemos como é difícil ultrapassar o jovem Laranja Mecânica da Red Bull.
E mais uma dose de êxtase para os tifosi: após a parada de Vettel na 23ª volta, o alemão voltou na frente de Max Verstappen.
O pódio se tornou óbvio após a 27ª volta. Com o pit stop de Raikkonen, Vettel passou a liderar a prova e tinha Hamilton atrás. A vantagem do alemão sobre o piloto da Mercedes foi superior a seis segundos. Além de ver a diferença de tempo aumentar, Lewis Hamilton também teve pesadelos ao ver a aproximação de Valtteri Bottas, o recém-chegado dos Flechas de Prata.
Outro piloto que teve um sonho ruim foi Daniel Ricciardo. O australiano largou dos boxes com problemas no carro e em quatro temporadas esta foi segunda vez que ele não terminou a corrida em casa.
Lance Stroll teve problemas com os freios, escapou em uma curva e se retirou da corrida na volta de número 44. Nada mal para um virgem de Fórmula 1. Mais algumas corridas e quem sabe o papai de Lance consegue algum retorno de seu “investimento” na Williams. Será?
Se para a Ferrari o tempo estava bom, o clima na McLaren era outro. Alonso fazia uma corrida boa, mantendo a décima posição contra as investidas de Esteban Ocon até ter problemas com a suspensão e abandonar a prova. O príncipe das Astúrias disse que estava em uma das melhores corridas em toda sua carreira. Para um carro nada competitivo, economizando combustível e com a má fama do motor Honda, o espanhol estava certo. 2017 não será um ano fácil para a McLaren.
Instantes depois, Sebastian Vettel cruzou a linha de chegada com precisamente 9s975 de vantagem sobre Lewis Hamilton. Para completar o pódio, Bottas chegou em terceiro lugar.
Vettel alcançou a sua 43ª vitória na Fórmula 1 e garantiu o sorriso dos italianos, já que a Ferrari não ganhava uma corrida de estreia desde 2010.
Já temos o campeonato decidido? Não. A vitória ítalo-germânica abre as cortinas do circo demonstrando mais competitividade nesta temporada. Embora a Mercedes seja a grande favorita, Toto Wolff e companhia sabem que a qualquer deslize a Ferrari pode chamar atenção.
Em uma análise fria, é nítida a imagem de carros mais rápidos até mesmo na volta de apresentação. A velocidade pode garantir quebras de recordes em voltas mais rápidas nos circuitos mundo a fora, como em Interlagos que ainda tem a marca de Montoya com 1m11s473 em 2004.  Contudo, pode parecer contraditório pensar que a Mercedes pode ter uma equipe para temer em algumas situações do campeonato e ao mesmo tempo imaginar que o novo sistema de downforce – traduzindo para aderência aerodinâmica – possa atrapalhar as ultrapassagens, o que é um fator negativo para o esporte, em vista que as redes sociais demonstravam o êxtase dos fãs da F1 com os ataques ousados de Max Verstappen no ano passado.
Mais competitividade em estratégias e menos competitividade na hora H? Parece que sim.

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