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Resiliência

Às vezes você me pergunta. Por que é que eu sou tão calado. Não falo de amor quase nada. Nem fico sorrindo ao seu lado.

Andreas Nikolaus Lauda faleceu ontem aos 70 anos. Há quarenta e dois anos, o piloto recebeu a extrema-unção na Alemanha, após o acidente no circuito de Nürburgring. Semanas após o fatídico dia, retornou ao grid para o Grande Prêmio do Japão ainda na busca pelo título da temporada de 1976. E não o levou por um mísero ponto. Contudo, venceu o caneco em 1977 e consagrou-se bicampeão. Em 1979 saiu da Fórmula 1 e retornou no ano de 1982 pela McLaren. O tricampeonato chegou dois anos depois. Correu mais um ano e se aposentou.
Se eu tivesse que resumir a vida de Niki Lauda em um parágrafo, assim o faria. Mas a grandiosidade da vida humana cabe bem numa prosa e de grandiosidade o Niki conhecia perfeitamente.
Não tive a honra de conhecê-lo ou de entrevistá-lo, mas carrego comigo a ideia de que não houve maior história de amor pela Fórmula 1 do que a de Niki Lauda. O amor pela vitória, pelo sucesso e pela glória. A Fórmula 1 que hoje tanto vive de boas histórias do storytelling nas mãos dos americans, mal sabia que a maior delas se encerraria agora.
A verdade é que Niki soube viver como poucos humanos fazem. É preciso conhecer a vida o suficiente para afirmar que a felicidade é inimiga e que ela nos enfraquece. Talvez seja por isso que andava manso, não vivia de sorrisos e nem de muitas piadas. Era de estilo soturno e sóbrio, de quem tinha muito conhecimento a dar. E felizmente deu.
Foi um sábio e após décadas de sua aposentadoria, era ouvido e respeitado por todos no paddock, especialmente na Mercedes, equipe onde sabiamente foi conselheiro nos momentos difíceis. Decifrou os mistérios de uma modalidade tão enigmática e acredito que possui boa porcentagem pelo sucesso do time.
Niki tinha uma maneira própria e muito sábia de ver a vida. Em tempos de romantização da felicidade, é bom ouvir alguém que acha chato falar de vitórias, que acredita que os fracassos são mais úteis, que falar menos é um bom caminho para focar na conquista de um grande objetivo. Tudo isso mostra a genialidade de encontrar respostas que tanto nos dão angústia.
Um dia, por puro proselitismo identitário, cheguei a criticar Niki Lauda e chamá-lo de ignorante. Hoje, aqui na cinzenta São Paulo tão longe da Áustria e de Mônaco, palco da próxima corrida, – onde Niki Lauda apenas venceu duas vezes – reconheço a minha total ignorância de como viver.
Uma lenda que se vai no momento que criamos heróis tão rasos.
Vejo a imensidão em alguém que se recusou a morrer e que aprendeu a encontrar o recomeço no seu fim. Niki sabia mais. Sempre soube.

Eu sou o início, o fim e o meio.

Mais do que rápido

Para muitos fãs do esporte, George Harrison é conhecido como o guitarrista da lendária (e minha favorita) banda The Beatles. Mas é vazio e pobre demais classificar os besouros em uma frase só. As múltiplas faces destes quatro meninos de Liverpool os tornaram únicos e inesquecíveis.

Ainda na infância, George frequentava o circuito de Aintree, próximo a Liverpool, com seu pai. Tornou-se fã do piloto inglês Geoff Duke e em 1955, ainda em Aintree, assistiu ao seu primeiro GP da Inglaterra. Assim como qualquer menino fã do esporte de sua idade, George organizava uma coleção de imagens de carros e corridas dos jornais e revistas da época. O ‘beatle quieto’ até chegou a solicitar materiais para as equipes. “Eu tinha fotos da BRM, Connaught, Vanwall, todas essas coisas. Tenho certeza de que tudo isso está em algum lugar do sótão da casa do meu pai”, contou George em uma entrevista para a F1 Racing.

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O quarteto fantástico da música e o clássico autorama

Assim como o álbum de colecionador, a paixão de George pelos carros foi deixada de lado assim que outro fenômeno entrou em sua vida. Aos 17 anos, o beatle mais jovem saiu de casa para explorar os bares de Hamburgo com sua música e seus amigos John Lennon, Paul McCartney e Pete Best – que foi substituído por Ringo Starr posteriormente.

Na década de 1970, George voltou a dedicar o seu tempo para a antiga paixão. Longe da loucura da beatlemania, passou a ser papagaio de pirata dos pilotos e chefes de equipes por estar presente nas etapas do calendário da Fórmula 1. George cultivou amizades com grandes nomes da época como James Hunt, Jackie Stewart e o brasileiro Emerson Fittipaldi.

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Mônaco 77: George Harrison ao lado dos amigos Jackie Stewart e Ringo Starr

Mas durante os anos 1970, a Fórmula 1 não teve apenas a alegria de ter um beatle como mascote da categoria. A fatalidade rondava a categoria. Em 1978 Ronnie Peterson, uma figurinha muito popular do esporte, faleceu em virtude de um acidente na largada do Grande Prêmio da Itália. Quase um mês após a morte de Peterson, outra notícia abalou o paddock. Aos 29 anos, o sueco Gunnar Nilsson perdeu a batalha contra o câncer nos testículos. A Fórmula 1 ficou desestabilizada com perdas trágicas de figuras tão jovens e carismáticas.

Para espantar o medo dos pilotos e reunir fundos para a Gunnar Nilsson Cancer Foundation, George Harrison compôs “Faster”, single do álbum que leva o mesmo nome do músico. Inspirada nos amigos Jackie Stewart e Niki Lauda, a canção vibra homens que escolheram a vida nos circuitos e entoa a paixão por velocidade. Apesar de ser dedicada a todos os pilotos, Faster é uma composição em memória de Ronnie Peterson.

A história de George com a Fórmula 1 não parou por aí. Ainda em 1979 se tornou o primeiro beatle a pisar no Brasil. A sua visita a capital paulista não envolveu shows ou participação em programas trash da TV brasileira, mas sim para ver o GP do Brasil e levantar a moral de seu amigo Emmo, que sofria com a Copersucar.

O ex-beatle continuou a visitar os autódromos por muito tempo. Fez tributo ao amigo Emerson Fittipaldi após o acidente na Indy, frequentava assiduamente o box da McLaren e há quem diga que Harrison foi uma das peças de apoio para alavancar a carreira de Damon Hill. Recentemente li em algum blog que George não simpatizava muito com Michael Schumacher, mas espero que esta história seja mentira.

A era de ouro da música e da Fórmula 1 data anos tensos da história mundial. Os anos 1960 e 1970 foram marcados por sangue, lutas, resistência e medo. Entretanto, bandas desta época, em especial os Beatles, encontraram a maneira certa de fazer arte e encantar o mundo através de melodias e letras tão sublimes como o nirvana. Eles eram mestres em “pegar uma canção triste e fazê-la melhor”. E foi exatamente o que George Harrison fez para contornar esta situação da Fórmula 1. Além de participar dos eventos, George conseguiu cantar aos quatro cantos do mundo todo o amor e admiração que um cabeça de gasolina leva no peito.

Em 2001 uma das guitarras mais famosas do mundo parou de chorar. Ele se foi cedo demais. Hoje George faria 75 anos e é um dos caras que mais fazem falta na primeira arte. Tanto na música como no automobilismo, George foi um fenômeno intenso e rápido por onde passou. Muito mais do que rápido, faster.

Il Declino

Se muitos ainda tinham esperança de reviravolta por parte da Ferrari, essa esperança morreu em Suzuka. Em mais um momento de desespero no grid minutos antes da corrida, um problema na vela do carro de Sebastian Vettel quase deixou a Ferrari sem poder largar com seus dois carros segunda vez consecutiva. Apesar da confusão, os mecânicos conseguiram ajustar o carro a tempo de ver o alemão andar em solo nipônico. Porém, apenas andou.
A falta de potência culminou em um precoce abandono do bólido vermelho na quinta volta e deu de mão beijada o campeonato para Lewis Hamilton, que venceu a prova e abriu incríveis (e inimagináveis, considerando o equilíbrio da temporada até o momento) 59 pontos de vantagem para Vettel. Com apenas quatro corridas para o final da temporada, é quase impossível acreditar em uma reviravolta da equipe italiana, que mais uma vez, acaba morrendo na praia. Seria trágico, se não fosse comum.

O otimismo em ver o cavalinho rampante no topo se alastra por temporadas, e para muitos, chega a ser mais decepcionante que o atual rendimento do motor Honda. Alonso que o diga: Em sua ambição por título, sua ida à Ferrari foi vista como uma combinação extremamente vencedora. Apesar das 11 vitórias, um Felipe Massa solidário e de chegar muito perto de conquistar o título nas temporadas de 2010 e 2012, a falta de desenvolvimento num carro que não batia de frente com a Red Bull acabou frustrando o espanhol, que pegou suas luvas e abandonou o barco. Felipe Massa também sofreu com erros de sua equipe, com o bizarro erro no pit stop combinado com a famosa batida proposital de Nelson Piquet Jr. e um drive through por unsafe release deixou o brasileiro sem pontos naquela ocasião. Seria apenas um erro, mas a temporada acabou culminando numa perda dramática na última curva da última volta da última corrida e por apenas um ponto, história que nós brasileiros conhecemos muito bem.

Apesar dos repetitivos erros, o contexto da Ferrari de hoje é outro: Uma equipe jovem, sem Ross Brawn, sem Montezemolo, que apesar de ter projetado um bom carro, ainda não tem a experiência para poder se manter no topo e bater de frente com uma Mercedes que também pode ter seus erros, mas que acaba os compensando com performances dominantes. A declaração de Sergio Marchionne em Sepang, onde o diretor executivo questionou a qualidade dos componentes, ressaltando que os mesmos não eram ideais para um carro de F1 mostra bem a situação da equipe no momento. Para a renda e a tradição da Scuderia, essa foi uma declaração um tanto quanto infeliz.

Para 2018, a Ferrari precisa dar mais um passo à frente. O ano 2017 pode ter um final desagradável, mas se olharmos para a temporada anterior, onde a Ferrari sequer conseguiu vencer, Maranello segue com um salto significativo em seu desenvolvimento. Talvez a ideia de evoluir não seja tão fácil considerando o fato de não haver uma mente experiente por trás de seu trabalho, como aconteceu com equipes como Mercedes/Brawn, que contou com o próprio e com a ajuda de Michael Schumacher em seu período de desenvolvimento, ou da Red Bull que teve Adrian Newey como a grande mente por trás de seu salto. No final, Marchionne, Maurizio Arrivabenne e companhia terão mais um final de ano de reflexão, buscando soluções não para chegar ao topo, mas sim para se manter na posição que os tifosi desejam e que a histórica scuderia de Maranello pertence.

A fórmula da lei de Murphy

Ter clima favorável para o seu carro, mas com problemas no motor. Acontece. Perder a pole position quando ela é – quase – garantida. Acontece. Tentar recuperar pontos importantes e largar na 20ª posição. Acontece. Se algo pode dar errado, dará. A melhor representação da lei de Murphy é a imagem da Ferrari em Sepang no sábado, como a torrada que cai no chão com o lado da geleia para baixo.

“Mas Vettel chegou em 4º!”. Eu sei, colegas. Foi um resultado expressivo e impressionante. Mas não é hora para os italianos comemorarem. Longe disso. Explicarei.

Primeiramente, a falta de confiabilidade do motor da Ferrari é inadmissível neste momento crucial do campeonato. Se largasse na primeira ou segunda fila, Sebastian Vettel jantaria todos ali que estavam noa ponta do grid de largada, mas não foi este o desfecho da história. O alemão saiu do 20º lugar, voou e terminou em 4º. Bravo! Lindo, espetacular, incrível… Se fosse uma prova qualquer. Na tabela a situação não é muito agradável ou confiável.

Mais um fracasso para o arsenal de micos que a Ferrari possui: o bólido de Kimi Raikkonen sendo arrastado até o pit lane e sem a identificação do problema por parte da equipe. Para uma scuderia com tradicionalidade e que luta pelo campeonato,é algo no mínimo bizarro. Cômico, se não fosse trágico.

Após uma classificação dramática de Vettel, o companheiro de equipe do alemão levou a Ferrari para a primeira fila. O finlandês poderia ter atrapalhado a Mercedes e a Red Bull. Até mesmo beliscaria a terceira posição (que provavelmente seria dada para Vettel). Mas novamente, a Cavallino Rampanti falhou. Falhou com seus pilotos e com ela mesma.

Lewis Hamilton conquistou no domingo o básico de seu roteiro na trilha do tetracampeonato. Após a pole no sábado, a Mercedes não esperaria muito em uma pista quente e favorável a degradação rápida de pneus – as pedras nos sapatos das flechas de prata há temporadas.

O inglês não venceu e seu companheiro de equipe, Valtteri Bottas, teve rendimento fraco, contudo, matematicamente, Hamilton fez somente o necessário, como canta Balu em Mogli: o menino lobo. Seguramente, Alain Prost está orgulhoso de Lewis.

Quem sobrou nesta última edição da prova em Sepang foi Max Verstappen. O holandês soube atacar, defender e manter a sua posição. Mostrou e comprovou o nível de amadurecimento. Após uma série de abandonos, Verstappen ganhou o melhor presente neste domingo. Literalmente. (Para quem não sabe, este jovem fez 20 anos no final de semana).

O surgimento da Red Bull como uma das forças principais no grid pode agradar e incomodar a disputa pelo campeonato. Engrandece a temporada pela presença de mais uma equipe competitiva, entretanto, pisa no calcancar da Ferrari. Com Hamilton abrindo vantagem e a consolidação da força da Mercedes, a Ferrari tende a ficar para trás na briga.

Logo, se a Red Bull entra no jogo dos peões, a Ferrari precisa bater contra a RBR e a Mercedes. Enquanto as flechas de prata, tecnicamente, teriam que enfrentar apenas os italianos. Justo estes que hora ou outra destroem a sua própria Torre de Babel.

Com 34 pontos de diferença entre o líder Lewis Hamiton e o vice, Sebastian Vettel, a Fórmula 1 voa para Suzuka, um dos circuitos mais tradicionais do calendário. Acredito que não preciso de mais delongas para comentar qual bólido é mais favorecido com as curvas de alta velocidade, clima ameno e as retas do traçado japonês. A felicidade aparente de Hamilton no pódio da Malásia, mesmo que no segundo lugar, não deve ser à toa.

Como não haverá mais provas na Malásia, deixo aqui a minha opinião e impressões sobre o circuito. Acho o traçado único e belíssimo, uma verdadeira obra de Hermann Tilke que me agrada muito.

Sepang foi palco de bons momentos para a Fórmula 1. Ressalto as que mais me marcaram pelas memórias afetivas, é claro. Em 2015, Sebastian Vettel venceu pela primeira vez com a Ferrari. Impossível esquecer os gritos de felicidade e lágrimas do tetracampeão.

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Glória do passado: Ao lado de David Coulthard, a Ferrari comemora o título de Michael Schumacher, conquistado dias antes em solo nipônico em 2000. Fonte: Motorsport.com

Ainda no início do milênio, a scuderia curtia o título de Michael Schumacher com direitos a peruca com fios rossos.

Claramente, o GP da Malásia trouxe alegrias e glórias para a Ferrari. E ironicamente, a Cavallino Rampanti se despede de uma maneira que fez partir o coração dos tifosi: desorganizada e caótica.

A de asa, B de balaclava e C de curva

Na sexta-feira uma dúvida pairou na cabeça. “Cingapura ou Singapura?”. Recorri ao velho dicionário dos tempos da escola e não encontrei nada. Após realizar pesquisas no Google e alguns seguidores terem falado que era “Singapura” o termo correto, logo pensei: “S de Sebastian Vettel em Singapura.”

Ainda no início desta temporada, escrevi aqui no blog que a nova Fórmula 1 é surpreendente. Nem mesmo a surpresa com o traçado molhado de Marina Bay poderia ser tão dramático e inesperado como o início de prova para a equipe Ferrari. Diante de tal afirmação, não deixaria de dizer que uma situação tão imprevisível rendeu pano para manga em diversos jornais, blogs, programas de esporte e até ao vivo durante a transmissão da corrida.

Assisti e reassisti o momento da largada diversas vezes e de ângulos diferentes até chegar a conclusão de que se trata de um acidente de corrida.

Sebastian Vettel poderia ser ultrapassado ou arriscar para se manter na liderança. Neste caso, optar pelo risco é natural de muitos que largam na frente. É um movimento recorrente de diversos pilotos. Inclusive, nesta temporada já vimos Sebastian Vettel largar com o carro inclinado a esquerda para facilitar esta manobra.

No segundo lugar do grid, Max Verstappen foi para a batalha a fim de buscar a primeira posição. Primeiramente, o holandês se move para a direita, mas assim que vê a Ferrari de Vettel, vai para a esquerda como o alemão. É uma ação lógica. Virar o volante para a esquerda é reflexo, porém, dois corpos não ocupam o mesmo espaço. Carlos Drummond de Andrade já explicava em outras linhas: no meio do caminho tinha um finlandês. Tinha um finlandês no meio do caminho. As duas Ferraris ensanduicharam Verstappen e a Red Bull acertou o bólido de número 7.

Sobre Kimi Raikkonen: ele estaria com tanta gana de conquistar a segunda posição para ser cão de guarda de Vettel? Talvez, é bem possível. Ele poderia ter imaginado que não haveria espaço suficiente? Sim, mas camaradas, if you no longer go for a gap that exists, you are no longer a racing driver. O finlandês apenas acelerou. Seria este um erro gravíssimo? Suponho que não.

Creio que pela quantidade de punições que a direção da Fórmula 1 vem aplicando aos pilotos e a adoração do ser humano em apontar vítimas e vilões, criou-se a necessidade quase vital de dizer qual piloto estava certo e quem foi o responsável pelo motim.

As ações dos volantes resultaram num desfecho propício em uma reta estreita de um circuito de rua. Concordo com a decisão de Charlie Whiting e companhia, afinal, todos saíram perdendo e também é muito fácil apontar o maior prejudicado desta história.

A grande vencedora de Singapura foi a Mercedes, que chegou como a terceira força no circuito. Nos treinos, tanto no livre quanto no classificatório, a Red Bull e a Ferrari voaram e deixaram a equipe alemã para trás. No sábado, Vettel garantiu a pole ao marcar 1min39s491. Hamilton marcou o quinto tempo com a diferença de 0.635.

No entanto, o desempenho da Mercedes na corrida se mostrou melhor do que o esperado. A equipe trabalhou de forma assertiva ao transformar a situação adversa de um circuito que não favorecia o seu bólido em um salto no campeonato. Uma pedra no sapato da sua arquirrival. Lição de casa para a Ferrari que poderia ter estudado melhor e desenvolvido o carro na corrida em Monza.

De 3 pontos à frente para 28, Lewis Hamilton avança no campeonato de maneira aguerrida. Com pistas favoráveis ao carro da Mercedes, suponho que a equipe alemã também colocará Valtteri Bottas no jogo dos peões para atrapalhar o agora tão difícil pentacampeonato de Sebastian Vettel.

Se a Ferrari fará a lição de casa para inverter o campeonato, eu não sei. Mas a minha eu já fiz. Da próxima vez que brincar de abecedário com a Fórmula 1, a letra S será de sanduíche singapurense.

O ataque bárbaro

Se alguém acreditava que o Grande Prêmio da Itália daria a Ferrari alguns cavalinhos a mais no motor, enganou-se. É lorota, conto da carochinha, piada, conversinha para boi dormir. Desde a introdução do motor turbo V6, Monza se tornou palco exclusivo para o show das Mercedes. Se nos últimos anos, as flechas de prata dominaram as provas de ponta a ponta, o resultado de domingo não seria muito diferente.

Surpreendente mesmo foi o grid de largada. Devido às penalizações de nove dos vinte pilotos do grid, Lance Stroll largou em segundo lugar e Esteban Ocon em terceiro. Aliás, preciso dizer que esta regra de punir as eventuais trocas de peças nos bólidos é uma asneira sem pé nem cabeça. Os atuais motores e elementos dos carros são mais frágeis e com vida útil menor do que os anteriores. Não me parece justo continuar as seguintes temporadas com este princípio.

Para a infelicidade dos tifosi, Lewis Hamilton conquistou a pole (e foi o único a não ter a posição alterada pelas penalizações). Mas o motivo de vergonha foi o desempenho péssimo da Ferrari e seus pilotos largando em quinto e sexto lugar – se não fosse pela punição dos outros, Kimi Räikkönen e Sebastian Vettel largariam, respectivamente, em sétimo e oitavo.

Na largada, Hamilton manteve a liderança. Ocon partiu para cima de Stroll e conquistou a segunda posição. Mais uma vez Max Verstappen teve problemas. Nem sempre a ultrapassagem é um momento rápido e de fácil conquista. Verstappen se envolveu (novamente!) com Felipe Massa em uma curva na terceira volta e teve o pneu furado. O garoto podia ter esperando um pouco mais. Uma, duas, três voltas. Errou e errou feio o holandês.

Nas trocas de posições, Valtteri Bottas voou para o segundo lugar ao deixar Ocon para trás e Vettel ultrapassou Raikkonen quando o finlandês escapou do traçado na primeira chicane de Monza. Na oitava volta, o alemão e ex- líder do campeonato ultrapassou o piloto da Force India para chegar ao terceiro lugar. Dali, não saiu mais.

Nenhum movimento inesperado veio dos três primeiros volantes na fila. Lá no fundão, Jolyon Palmer ultrapassou Fernando Alonso cortando a chicane. Já que impressionar nas pistas com o motor Honda é trabalho árduo, o espanhol optou – por mais uma vez – chamar atenção pelos rádios sarcásticos. Queixou-se da manobra esquisita de Palmer, disse que o problema na caixa de câmbio não deveria existir e por fim, ao saber que o volante da Renault havia abandonado a prova, foi curto e grosso ao gritar: carma!

Quem fez uma baita corrida pôde se gabar por ter sido eleito o piloto do dia, mas não teve a oportunidade de subir ao pódio. Daniel Ricciardo pilotou. E muito! O australiano conquistou o terceiro tempo na classificação, mas teve de largar em 16º pela troca de motor e câmbio. Mas no Parco di Monza, fez belas ultrapassagens em Raikkonen e Perez. Na volta de número 38, optou pelos supermacios e foi muito veloz.  Atingiu a casa de 355 km/h. No final da prova perseguiu a Ferrari de Vettel por várias voltas, porém, sem sucesso, teve de contentar com a quarta posição.

A dobradinha da Mercedes azedou o final de semana dos tifosi. Os bólidos da equipe alemã ultrapassaram a linha de chegada com 36s de vantagem para Vettel. Apesar da festa calorosa e receptiva dos italianos, não acredito que o resultado tenha deixado feliz os integrantes da Scuderia Ferrari.

O presidente da squadra, Sergio Marchionne, disse aos repórteres que o desempenho da equipe foi abaixo do esperado e descreveu a 13ª etapa do calendário como “embaraçosa”. Não que ele vá mudar alguma coisa, os pronunciamentos do italiano são sempre marcados por muitas críticas, mas poucas ações. Ao menos é de se esperar que a Ferrari faça bom proveito do patrocínio da Philip Morris, uma vez que é proibido ostentar o símbolo de marcas tabagistas.

A dominância das flechas de prata em Monza foi impactante, mas não tão surpreendente. O circuito de retas longas e marcado com freadas fortes favoreceu a equipe alemã. Toto Wolff e companhia podem se vangloriar, mas não por muito tempo. Irmão gêmeo de Mônaco e Hungria, o circuito de Singapura pode e deve ajudar Sebastian Vettel a ter novamente a liderança do campeonato. Como se não fosse suficiente, o tetracampeão é quem mais venceu em Marina Bay.

Acredito que as próximas etapas serão mais desafiadoras e movimentadas do que esta da Itália. Lewis Hamilton pode contar com o carro mais equilibrado do grid e circuitos como Suzuka e Austin, mas até lá, a liderança do campeonato pode alternar de forma mais veloz do que os bólidos na Parabolica do Parco di Monza.

Espero que daqui a alguns anos, a temporada de 2017 seja inspiração para um filme ou documentário. Parece-me bom roteiro de um longa-metragem o líder do campeonato perder a liderança em “casa”, mas ainda poder sorrir por ser o favorito para vencer a prova seguinte. Alô alô, Ron Howard!

O medo é um benefício

O GP da Bélgica de 2017 foi o lar de mais um capítulo da tensa temporada entre os pilotos da Force India.  Sergio Pérez e Esteban Ocon protagonizaram dois momentos de deixar qualquer cabeça de gasolina sem ar (e de deixar o bom e velho Pastor Maldonado orgulhoso). Logo na largada, na descida pré-Eau Rouge, Perez sofre pressão da Renault de Nico Hulkenberg à sua esquerda e tenta abrir espaço para ser ultrapassado, mas não contava com seu companheiro de equipe à sua direita. O toque ocorreu, e o carro do francês esteve perto de decolar em uma das partes maior perigo no circuito. Mas a confusão não para por aí.

Na volta vinte e nove, os dois bólidos cor-de-rosa se encontram novamente em mais um momento assustador. Novamente no mesmo local, Ocon se posiciona para ultrapassar por dentro seu companheiro, que não pensa o mesmo: O mexicano fecha a porta, há novamente o contato entre as duas máquinas, com Ocon perdendo parte da sua asa e Pérez tendo um pneu furado, outro incidente que poderia gerar uma tragédia. Em suas redes sociais, ambos apresentaram visões diferentes dos incidentes: Esteban foi agressivo e até um pouco exagerado, e disse que seu companheiro de equipe tentou matá-lo; já Checo assumiu a culpa no acidente da primeira volta e se desculpou, porém se mostrou indiferente no segundo contato, alegando não pensar que o francês tentaria fazer a ultrapassagem. Agora a pergunta que não quer calar: De quem é o erro? Ambos compartilham a culpa, porém estamos falando de um piloto que acaba de completar um ano na F1 e um Sergio Pérez que possui um histórico conturbado em suas seis temporadas e meia na categoria.

Em todo esse tempo, Pérez apresentou ser um piloto muito rápido, arrojado, porém um tanto quanto problemático. No treino classificatório do GP de Mônaco 2011, seu ano de estreia, o mexicano teve uma panca e tanto ao perder o controle de sua Sauber na saída do túnel, bater no guard-rail encher de lado a barreira de proteção, assustando os residentes de Monte Carlo e este que vos escreve. O piloto foi levado sem consciência para o hospital, teve uma concussão e uma fratura na perna, e acabou perdendo a corrida. Mas seus dois anos na equipe de Peter Sauber não renderam apenas momentos ruins. Um segundo lugar no maluco GP da Malásia de 2012 fez o circo olhar com bons olhos a temporada do mexicano naquele ano. E que ano! Mais dois pódios (um terceiro lugar no Canadá e um segundo lugar na Itália) renderam a oportunidade de correr pela McLaren e substituir Lewis Hamilton, que saía da equipe para correr pela Mercedes. Essa transferência mudaria o rumo de sua carreira, só não da maneira que Checo esperava.

Sua temporada na McLaren foi um desastre. A equipe que até 2012 brigava por vitórias e pelo título, teve de se contentar em disputar posições no meio do grid. Além disso, Jenson Button, seu companheiro na época, se apresentou várias vezes aborrecido com o comportamento de Checo, e ambos chegaram a travar uma disputa acirrada no GP do Bahrein daquele ano, com direito a toque de rodas e asa quebrada. O 5º lugar na Índia como melhor resultado e suas performances apagadas não convenceram Martin Whitmarsh e a equipe, que não optou por sua sequência para 2014, o que também poderia acabar com as chances do mexicano voltar a correr numa grande equipe.

Em dezembro de 2013, Pérez é contratado pela Force India, e de lá pra cá faz um ótimo trabalho, sendo consistente, conseguindo quatro pódios e chamando a atenção das grandes equipes como antes. Mas novamente, ao ter um piloto que dispute lado a lado o domínio da equipe, seu comportamento se apresenta corajoso e confiante demais. O incidente em Spa é o quarto momento controverso entre Sergio e Ocon na temporada, o que para companheiros de qualquer equipe é inaceitável.

As atitudes de Pérez levam uma máxima que deveria ser levada em consideração à tona: Na fórmula 1, o medo é um benefício, e não uma desvantagem. Pilotos são extremamente autoconfiantes, precisam aceitar o risco, mas o medo garante que pensem duas vezes antes de colocar a sua vida em risco, e principalmente, não prejudicar quem também compartilha do mesmo ofício.

Ao fechar Ocon, Sergio também pode fechar portas para opções futuras, como a Ferrari, onde houve um namoro nas temporadas de 2015 e 2016, porém, como Vettel tem o poder de “escolher” seu companheiro de equipe, o mexicano com certeza não é visto com bons olhos. Há rumores de Perez na Williams, mas considerando o momento da Force India, permanecer ainda parece a escolha certa.

Sobre o futuro da Force India? Só Vijay Mallya dirá. É hora de conscientizar ambos os pilotos da gravidade dos incidentes, e deixar claro de que ocorrências deste tipo não serão toleradas, para o bem de ambos, e para o melhor futuro possível da Equipe.

Para inglês ver

Se havia um lugar perfeito para o crescimento de Lewis Hamilton na temporada, tinha de ser em Silverstone. Desde a punição para Valtteri Bottas, largada de Vettel com problemas no freio, o final de semana para o inglês foi perfeito, além do desempenho sem erros.

A largada foi abortada quando o bólido de Jolyon Palmer parou ainda na volta de apresentação. Quando as luzes vermelhas apagaram e a verde surgiu, Lewis Hamilton segurou a ponta, Räikkönen veio em segundo e Verstappen ultrapassou Vettel, conquistando o terceiro lugar.

Na segunda volta, o carro de segurança foi acionado. Novamente Daniil Kvyat resolveu aprontar. O russo bateu como um torpedo no carro de Carlos Sainz e o espanhol teve de abandonar a prova. Mais um erro do piloto da Toro Rosso que foi campeão da GP3 em 2013, chegou à F-1 em 2014 e no ano seguinte substituiu Sebastian Vettel na RBR. Mais difícil do que explicar a sua situação para os chefes de equipe, deve ser o almoço de domingo com a família da namorada (Para quem não sabe, Daniil Kvyat namora Kelly Piquet, filha do tricampeão Nelson Piquet).

Após a relargada, Sebastian Vettel e Max Verstappen disputaram posição, mas o holandês saiu favorecido da batalha e ainda foi ousado ao dizer que o tetracampeão estava brincando de carrinho de bate-bate. Por outro lado, Vettel reclamou que Max não permanecia na mesma linha na hora de defender a sua posição. Crítica feita por diversos pilotos desde o ano passado.

Verstappen atrapalhou os planos dos italianos. A Ferrari mudou a estratégia e optou pelo pitstop de Vettel na 19ª volta para assegurar o pódio e impedir a dobradinha da Mercedes. Não por coincidência, Verstappen entrou na 20ª. Undercut bem sucedido do ferrarista que conseguiu deixar Verstappen atrás de Nico Hulkenberg, da Renault.

Com Lewis Hamilton liderando a prova com 15s de vantagem à Räikkönen, a Mercedes mostrou sua superioridade em retas, curvas velozes e com a temperatura ideal para que a equipe alemã não sofresse com os pneus, o que aconteceu com os ferraristas no final da corrida.

Lá atrás, Fernando Alonso abandonou a prova na volta de número 35. Daniel Ricciardo, da RBR, dava show de pilotagem ultrapassando os demais em pista, em uma só volta deixou Perez, Ocon e Magnussen para trás. O australiano largou em penúltimo e logo alcançava o top 10.

Na 43ª volta, Bottas se aproximou de Vettel. Sebastian se defendeu, segurou até travar o pneu dianteiro. Sem chances para o alemão, o finlandês voou baixou e conquistou a segunda posição. Não tardou para Vettel reclamar da condição dos pneus e as famosas bolhas que o atrapalharam.

E mais rápido do que o rádio de Vettel, foi a deterioração do pneu dianteiro de Raikkonen na prova. Kimi teve de ir aos boxes devido aos pneus em frangalhos. Com o problema de Kimi, o terceiro lugar caiu como uma benção para Sebastian Vettel. Mas a alegria do líder do campeonato não durou por muito tempo, na volta seguinte o seu pneu dianteiro esquerdo também explodiu.

Não é por pura coincidência que os dois pilotos da Ferrari tenham sofrido com os pneus no circuito inglês. A pista abrasiva, o composto mais duro (diferente dos anos anteriores) e as curvas velozes de Silverstone, ainda mais rápidas com a nova configuração dos carros, foram as razões para a deterioração forte nos bólidos vermelhos. Vale a pena ressaltar que tanto Kimi como Sebastian estavam com composto macio, uma vez que a Ferrari apresenta melhores resultados com supermacios.

Passando na bandeira quadriculada com muita folga Lewis Hamilton conquistou a vitória. Para fechar o pódio, Bottas em segundo e Raikkonen em terceiro. Vettel, que se arrastou até aos boxes, ficou apenas com o 7° lugar.

Com a vitória em casa, Hamilton conquistou mais um recorde por vencer quatro vezes em seguida, assim como Jim Clark, lenda das pistas na década de 1960.

O inglês também pode alcançar outra marca na Hungria, próxima etapa do calendário. Com a pole em Silvestone, Hamilton conquistou sua 67º pole position na carreira e com mais uma, chega ao recorde de 68 poles, o mesmo número de Michael Schumacher.

Se no texto do GP anterior, eu disse que Bottas poderia chamar atenção por breves momentos. Retiro o que disse. No início da temporada, a Ferrari foi privilegiada com os circuitos de temperaturas altas e pneus supermacios. Com o crescimento da Mercedes no campeonato, acredito que Valtteri Bottas pode apertar o calo tanto de Vettel quanto de Hamilton.

Para comprovar o que disse, o finlandês se aproxima e está em terceiro lugar, 22 pontos atrás de Hamilton.

Não acredito que esteja mais fácil para a Ferrari ou para a Mercedes. As duas equipes têm grandes chances para lutar e apesar deste ocorrido no final da prova, Sebastian Vettel ainda se mostrou otimista. O alemão tem consciência de que a Ferrari precisa melhorar, atualizar o carro e encontrar maneiras para crescer junto com a rival. Não digo atrapalhar porque gosto de equilíbrio em dispustas.

O traçado travado de Hungaroring com curvas de baixa velocidade favorece a Ferrari. Por outro lado, Lewis Hamilton é quem mais venceu em Budapeste por cinco vezes, já Vettel venceu apenas uma vez na Hungria.

O alemão, totalmente azarado em Silverstone, em 2010 – ano de seu primeiro título – terminou em 4º no Canadá e em 7ª na terra da rainha. Os mesmos resultados da temporada atual. Será apenas coincidência ou a sorte jogará ao favor de Sebastian Vettel?

Estamos na metade da temporada. Faltam 10 corridas para o final do campeonato. Apenas um ponto separa o líder do vice. Alguém poderia imaginar um cenário melhor?

Boa safra

Momentos antes do GP da Áustria, o campeão de 1992, Nigel Mansell publicou em seu perfil oficial do Twitter que esperava por uma largada cheia de erros. É certo que o inglês se redimiu ao politicamente correto e voltou atrás dizendo que esperava por bons momentos. Com dons proféticos ou não, o Leão acertou e a largada foi confusa para a turminha de trás.

No ano passado, Vettel chamou de torpedo, mas agora a denominação é boliche. Como um strike, Daniil Kvyat bateu em Fernando Alonso e sob o efeito dominó, o espanhol tocou em Max Verstappen.

Se Verstappen está numa onda de má sorte, ainda pode se gabar e explicar a Helmut Marko que seus cinco abandonos em sete provas não foram ocasionados por falhas que comprometem o seu desempenho profissional. Já Kvyat entrou numa fase de declínio constante. Desde o ano passado, quando foi rebaixado e voltou para a STR, o russo tem desempenho péssimo.

Lá na frente, Bottas se manteve em primeiro, seguido de Vettel e Ricciardo, que ultrapassou Raikkonen e ficou com terceiro lugar.

E mais rápido que o erro cometido por Kvyat, foi a reação de Bottas. Houve investigação para saber se o finlandês havia queimado a largada. A FIA apurou e provou que a movimentação foi normal. Primeiramente, eu fiquei incrédula, mas com o teste de reação que um bendito cujo da internet criou, compreendi que é possível atingir a mesma marca de Bottas ou ainda superá-lo.

E se Bottas chamou atenção com rápida reação, impressionante mesmo foi o desempenho da Haas no início da prova com Grosjean pulando de sexto para quarto. O francês conseguiu boas disputas com Sérgio Perez, que não pode contar com o desempenho esperado da Force India.

Na primeira parte da corrida, Bottas conseguia abrir quase 6 segundos de vantagem sobre Vettel. E Lewis Hamilton, que largou em 8º lugar por causa de uma punição, ultrapassava os demais na pista e conquistava o 5º lugar. Já no fim do grid, apesar do apagão da Williams no sábado, Felipe Massa pulou de 17° para 9°.

Na volta de número 15, Lewis Hamilton, pelo rádio, reclamava que seu bólido saía de traseira. Com a temperatura da pista oscilando entre 48 e 50 graus, seria difícil pilotar sofrendo com desgaste de pneu. A previsão da Pirelli era que o pit stop acontecesse entre a 18ª e a 20ª volta, mas o inglês só parou na 32ª e optou pelos supermacios. A mesma escolha de Vettel.

Valtteri Bottas, líder da prova, parou apenas na 41ª e voltou atrás de seu compatriota, Kimi Raikkonen. Sabendo do histórico entre os dois, fiquei apreensiva por algum toque, porém não havia muito que fazer. Raikkonen tentou, segurou e se defendeu, mas com pneus velhos Bottas voou e voltou à primeira posição. E o finlandês da Ferrari foi direto para o pit stop.

A partir deste momento, a corrida se tornou mais emocionante. Hamilton lutava para ultrapassar Ricciardo para conquistar o terceiro lugar. Vettel, em segundo lugar, se aproximava de Bottas. Ademais, a luta pelo primeiro lugar do pelotão demonstrava claramente a potência das equipes concorrentes ao título. Vettel se aproximava de Bottas nas curvas, uma vez que a Ferrari tinha tempos melhores no miolo de Spielberg, mas perdia força nas retas em comparação ao motor da Mercedes.

As voltas finais foram belíssimas, com desempenho espetacular e resultado surpreendente. Em 2003 a volta mais rápida de Spielberg era a marca de 1m08s337 de Michael Schumacher, ainda nos tempos do V10. A Áustria voltou ao calendário do circo em 2014 e ninguém havia quebrado este registro, nem mesmo ter alcançado a casa de 1m08s.

Alternando a vez de cada um, ora Bottas, ora Vettel e ora Hamilton, eles diminuíam tempo enquanto batalhavam por ultrapassagens. Vettel abaixou para 1m07s713, depois Kimi com 1m07s511 e por fim, Hamilton atingiu a proeza de voar baixo marcando o tempo de 1m07s411. Adendo importantíssimo: o inglês fez o seu tempo na volta de número 70, com pneus velhos, pouco combustível e pista emborrachada, completamente suja.

Que a temporada da F-1 de 2017 está muito mais competitiva em relação aos anos anteriores, eu sei. Que os carros são mais rápidos, charmosos e maiores também. Mas não é só de bólidos e da tecnologia avançada que vive a categoria. O talento de cada um em pista indica boa safra de pilotos e mostra como automobilismo não é apenas show de ultrapassagens ou acidentes, mas sim táticas, conhecimento de pista, experiência e muita técnica para atacar, defender, economizar combustível e pneus ao mesmo tempo. Quem é que só aperta botão mesmo?
Show finalizado, bandeira quadriculada à mostra. Valtteri Bottas voltou a vencer pela segunda vez no ano. Isto indica que o plano B da Mercedes dá certo. Uma verdadeira faca de dois gumes. Por um lado, Bottas ajudou Hamilton evitando que Sebastian Vettel abrisse ainda mais vantagem sobre o inglês. Por outro, Bottas mostrou que pode chamar atenção na pista e ser protagonista, mesmo que seja breve.

Vettel abriu seis pontos de diferença na Áustria e agora soma 171 pontos na tabela. Hamilton logo atrás, chega com 151 pontos. Caso o inglês vença em casa alcançará cinco vitórias em Silverstone, o mesmo número do maior vencedor da pista, Alain Prost. Vettel ergueu o troféu no lugar mais alto do pódio em território britânico apenas uma vez.

A corrida na Áustria confirmou que a temporada deste ano é realmente fantástica. Ricciardo subiu ao pódio pela quinta vez. Nove corridas, quatro vencedores. Novamente pódio com pilotos de equipes diferentes. Acredite se quiser, Palmer terminou a frente de Hulkenberg. Quer mais?

Com os holofotes voltados para Hamilton e Vettel, a batalha pelo campeonato continua na próxima semana na Inglaterra. Se a redenção de Lewis Hamilton pode acontecer em sua terra natal? Talvez. Silverstone é uma caixinha de surpresas como a atual temporada da F-1. As curvas velozes e retas podem ajudar a Mercedes, mas a pista abrasiva e a temperatura do verão europeu são fatores que favorecem a Ferrari. Totalmente imprevisível!

A F-1 não precisava voltar à década de 1980 para ser emocionante. Há cinco anos, dois bicampeões lutavam para ser o mais jovem tricampeão da história da categoria. A curva daquela temporada está logo ali para ser admirada e usada como exemplo. E se 2012 foi um campeonato icônico, por que 2017 não seria?

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