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Um passeio finlandês

Eu sei que um domingo com Fórmula 1 é sempre melhor, mais bonito, agradável e até a cidade russa entendeu este raciocínio com 23°C, céu ensolarado e um calorzinho bom para o país da vodca, mas o Grande Prêmio da Rússia foi como as últimas corridas já nos mostraram ser a essência de Sochi: desinteressante.

Mal tinha começado a corrida e Alonso teve de abandonar ainda na volta de apresentação. Cada vez mais a parceria McLaren-Honda vem desanimando o espanhol que terá como próxima aventura (ou decepção) a corrida em sua terra natal.

E mais rápido do que a presença de Fernando Alonso foi o finlandês Valtteri Bottas, que na largada, aproveitou-se para passar seu compatriota, Kimi Raikkonen, e contornar a curva à frente de Sebastian Vettel.

Ainda na primeira volta no resto do pelotão, Grosjean foi como um torpedo em direção a Jolyon Palmer e este foi o motivo que levou o Safety Car para a pista.

Após a relargada, nada mudou. A fila de carros continuava a mesma com Bottas, Vettel, Raikkonen, Hamilton e Verstappen.

Com problemas de freio, Daniel Ricciardo teve de abandonar a prova na quinta volta. Um empecilho comum do circuito de Sochi, pois voltas depois, Lewis Hamilton e a sua fortíssima Mercedes também sofreram com o superaquecimento de freios.

Desde a relargada até a parada para os boxes, a corrida se tornou muito cansativa. Os pilotos estavam distantes e exceto pela ultrapassagem de Bottas no início da prova, não houve mais nenhuma disputa por posição. Um episódio a parte nesta nova e cativante Fórmula 1 de carros rápidos e com disputa de campeonato entre equipes diferentes.

A Pirelli, distribuidora de pneus, previa que o pit stop seria aproximadamente na 20º volta e a expectativa era de apenas uma parada. O primeiro a parar foi Wehrlein. A Ferrari e Mercedes ficaram à espera de quem colocaria os seus cavalos na chuva primeiro e a equipe alemã decidiu chamar Bottas para o pit stop na 28ª volta.

Com o finlandês da Mercedes fazendo sua parada, Vettel pulou para o primeiro lugar. Logo em seguida foi a vez da Ferrari com Kimi Raikkonen, que assim como Bottas, também saiu de pneus ultramacios.

Na volta de número 31, Lewis Hamilton foi para o pit stop e o único piloto da frente sem parar era Sebastian Vettel.

O alemão tinha quase vinte segundos de vantagem sobre Valtteri Bottas, mas seu pit stop deu com os burros n’água com a chance de permanecer sendo líder da prova. A Ferrari continua com problemas em paradas e o mecânico deixou isto bem claro quando se atrapalhou com o pneu dianteiro esquerdo do carro. Vettel voltou 4s6 atrás de Bottas.

Com pneus mais novos, a esperança de Sebastian Vettel era ultrapassar o líder da prova. Para criar expectativa no peito de cada ferrarista, Bottas fritou o pneu e perdeu vantagem para o alemão. A distância entre os dois pilotos era de 2s2. Na 42ª volta, os dois estavam separados por 1s5.

Direto do pit lane, o engenheiro de Vettel mandava a mensagem para o seu piloto: “Continue pressionando, ele vai cometer algum erro”. E para acabar de uma vez com a esperança de todos da equipe italiana, Bottas conduziu sua Mercedes até o limite e não deixou Vettel sonhar com a possibilidade de abrir a asa.

Última volta. No meio do caminho tinha um Felipe Massa. Tinha um Felipe Massa no meio do caminho. Talvez Vettel nunca tenha sonhado em ser poeta. O alemão sempre diz que era péssimo quando estudava sua língua mãe nos tempos de escola, mas um poema cairia bem melhor para demonstrar a sua raiva.

O piloto brasileiro era o retardatário da pista e Bottas logo se livrou dele, porém, Sebastian Vettel ficou atrás de Massa e perdeu meio segundo pela falta da tão amada bandeira azul.

O resultado destes segundos de agonia para o alemão? Mesmo sem vencer, Vettel mostrou o dedo.

Apesar da falta de emoção, a quarta etapa da temporada de 2017 trouxe a primeira vitória de Valtteri Bottas na categoria. O finlandês não vencia uma prova desde 2011 ainda na Fórmula 3 inglesa.

Desde o GP da Austrália de 2013, o hino da Finlândia não tocava para o piloto no lugar mais alto do pódio.

Valtteri Bottas é o 107° piloto a conquistar uma vitória na F-1 e o quinto finlandês a vencer na categoria.

No final da corrida, o saldo ficou positivo para o líder do campeonato. Sebastian Vettel tem 86 pontos e Lewis Hamilton, que não subiu ao pódio, está com 73. Logo atrás, aparece Valtteri Bottas com 63.

É a quarta etapa da temporada com três vencedores diferentes. Disputa a trois? Todos esperamos que sim.

Gina davanti

Seguindo a lógica de um chefe de equipe, se você tem uma dobradinha na ponta do grid na largada é sinal que você voltará com o troféu da vitória para a casa. Certo? Errado.
O Grande Prêmio do Bahrein mostrou a nova tendência na temporada de 2017: tudo é possível. O abismo entre a Mercedes e as outras equipes da Fórmula 1 no treino classificatório no final de semana mostrou o quão rápido e potente é o carro da escuderia alemã, mas por diversos problemas, sejam eles de DRS, estratégia, pressão dos pneus e até mesmo o bom desempenho da Ferrari atrapalharam a semana santa de Toto Wolff.
Aos 27 anos, Valtteri Bottas largou pela primeira vez na pole position e manteve a sua posição, enquanto seu companheiro de equipe, Lewis Hamilton, foi ultrapassado por Sebastian Vettel. Na primeira volta, o pelotão era seguido de Bottas, Vettel, Hamilton, Verstappen, Ricciardo, Massa, Hulkenberg, Raikkonen, Grosjean e Ocon. Além da surpresa da ultrapassagem do alemão da Ferrari, os fãs da Fórmula 1 também ficaram boquiabertos com a largada limpa de Jolyon Palmer da Renault.
Na volta de número 5, Raikkonen e Massa disputavam pela sexta colocação. O puxão de orelha do velho Marchionne resultou na ultrapassagem do finlandês sob o piloto brasileiro. Mais a frente, os três primeiros colocados estavam separados por apenas 6s e o líder da prova segurava o ritmo enquanto Hamilton tentava alcançar Sebastian Vettel.
A estratégia da Ferrari era chamar o seu piloto para o box antes dos rivais e assim a escuderia fez quando Sebastian Vettel parou na 11ª volta. Logo em seguida, foi a vez de Max Verstappen, que também optou pelos pneus supermacios, parar. Mas a diversão do jovem não durou por muito tempo, o holandês bateu contra o muro e teve de abandonar a prova. E outro “bebê da Fórmula 1” também saiu da prova, o canadense Lance Stroll sofreu com o toque de Carlos Sainz.
Com os detritos na pista em resultado da colisão entre Stroll e Sainz, o Safety Car foi acionado. Vettel se tornou líder da prova quando os pilotos partiram para o pit stop. Lewis Hamilton reduziu a velocidade sem necessidade e foi punido por 5 segundos.
Já na relargada, Bottas puxou, acelerou, mas não conseguiu ultrapassar Vettel e ainda teve de levar um “X” do alemão.
Para deixar amargo o domingo de Páscoa do finlandês, a Mercedes pediu para Bottas deixar Hamilton passar com esperança de que o inglês pudesse brigar pela primeira posição. A equipe alemã quebrou um mandamento, rompeu um laço para abrir caminho ao inglês. Não é necessário Wolff dar escusas ou convencer os jornalistas sobre condições estratégicas, nós já conhecemos este jogo.
Sebastian Vettel fez sua segunda parada na volta de número 33, três voltas depois, já marcava o tempo mais rápido da prova de 1m34s004 e logo seria ultrapassado por Hamilton. O inglês parou na 41ª e optou por pneus macios de um conjunto já usado no final de semana.
Quase. Palavra de cinco letras que resume o desempenho da McLaren neste final de semana do Bahrein. Vandoorne nem sequer participou da prova e a duas voltas do fim, Fernando Alonso teve problemas com o motor e abandonou. “Não desejo a ninguém uma situação destas. O GP do Bahrain mostrou como é a situação”, lamentou Alonso.
O feriado é cristão, mas é a McLaren que precisa ressuscitar. Quem sabe o espanhol voltará a fazer milagres nas 500 milhas de Indianápolis.
Se alguém propõe a tese de que a punição de Hamilton ajudou a vitória ítalo-germânica, a teoria será quebrada, pois Sebastian Vettel cruzou a linha de chegada com 6,6 segundos de vantagem sobre o inglês. A vitória deste domingo se deu graças ao trabalho em perfeita sincronia de Vettel e Ferrari. Seria errado demais afirmar que os 5 segundos foram cruciais.
A alegria do alemão não poderia ter razão melhor. Ele saiu na frente e está com 7 pontos a frente de seu principal rival da temporada. Para a alegria dos tifosi e da família em Maranello, la macchina di Seb funziona.

Lasciatemi guidare

Neste domingo, os petrolheads finalmente puderam provar um gostinho da categoria mais popular do automobilismo e desta vez a dose foi mais forte. Com carros maiores e mais velozes, a Fórmula 1 iniciou a temporada de 2017 com pé direito e alguns problemas técnicos para resolver.
A corrida começou tranquila com o pelotão da frente a segurar suas posições, sendo Massa o único piloto a conseguir uma posição ao ultrapassar Grosjean. Na turma do fundão, Ericsson e Magnussen bateram, mas conseguiram voltar para a pista.
Logo de início, a ousadia de Vettel (ou seria sede de vitória?) deixou os aficionados de automobilismo colados na cadeira ao ver o alemão tentar se aproximar de Lewis Hamilton, o pole e líder da prova. O tempo mostrou que apenas atacar não seria certo, o piloto da Ferrari precisaria de uma estratégia e ele encontrou uma no baú do tempo.
Sebastian Vettel tirou o truque “Michael Schumacher” da manga. Desacelerou e esperou Hamilton ir aos boxes para poder dar o ar de sua graça. E assim fez. Quando o inglês parou na 18ª volta, Sebastian colocou o pé no acelerador para dar voltas mais rápidas, postergar o pit stop e ter um pneu em melhor estado para o fim da corrida. Algo que não foi necessário.
Para a alegria dos ferraristas, Hamilton voltou atrás de Verstappen e nós, fãs de velocidade, já sabemos como é difícil ultrapassar o jovem Laranja Mecânica da Red Bull.
E mais uma dose de êxtase para os tifosi: após a parada de Vettel na 23ª volta, o alemão voltou na frente de Max Verstappen.
O pódio se tornou óbvio após a 27ª volta. Com o pit stop de Raikkonen, Vettel passou a liderar a prova e tinha Hamilton atrás. A vantagem do alemão sobre o piloto da Mercedes foi superior a seis segundos. Além de ver a diferença de tempo aumentar, Lewis Hamilton também teve pesadelos ao ver a aproximação de Valtteri Bottas, o recém-chegado dos Flechas de Prata.
Outro piloto que teve um sonho ruim foi Daniel Ricciardo. O australiano largou dos boxes com problemas no carro e em quatro temporadas esta foi segunda vez que ele não terminou a corrida em casa.
Lance Stroll teve problemas com os freios, escapou em uma curva e se retirou da corrida na volta de número 44. Nada mal para um virgem de Fórmula 1. Mais algumas corridas e quem sabe o papai de Lance consegue algum retorno de seu “investimento” na Williams. Será?
Se para a Ferrari o tempo estava bom, o clima na McLaren era outro. Alonso fazia uma corrida boa, mantendo a décima posição contra as investidas de Esteban Ocon até ter problemas com a suspensão e abandonar a prova. O príncipe das Astúrias disse que estava em uma das melhores corridas em toda sua carreira. Para um carro nada competitivo, economizando combustível e com a má fama do motor Honda, o espanhol estava certo. 2017 não será um ano fácil para a McLaren.
Instantes depois, Sebastian Vettel cruzou a linha de chegada com precisamente 9s975 de vantagem sobre Lewis Hamilton. Para completar o pódio, Bottas chegou em terceiro lugar.
Vettel alcançou a sua 43ª vitória na Fórmula 1 e garantiu o sorriso dos italianos, já que a Ferrari não ganhava uma corrida de estreia desde 2010.
Já temos o campeonato decidido? Não. A vitória ítalo-germânica abre as cortinas do circo demonstrando mais competitividade nesta temporada. Embora a Mercedes seja a grande favorita, Toto Wolff e companhia sabem que a qualquer deslize a Ferrari pode chamar atenção.
Em uma análise fria, é nítida a imagem de carros mais rápidos até mesmo na volta de apresentação. A velocidade pode garantir quebras de recordes em voltas mais rápidas nos circuitos mundo a fora, como em Interlagos que ainda tem a marca de Montoya com 1m11s473 em 2004.  Contudo, pode parecer contraditório pensar que a Mercedes pode ter uma equipe para temer em algumas situações do campeonato e ao mesmo tempo imaginar que o novo sistema de downforce – traduzindo para aderência aerodinâmica – possa atrapalhar as ultrapassagens, o que é um fator negativo para o esporte, em vista que as redes sociais demonstravam o êxtase dos fãs da F1 com os ataques ousados de Max Verstappen no ano passado.
Mais competitividade em estratégias e menos competitividade na hora H? Parece que sim.

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