Se muitos ainda tinham esperança de reviravolta por parte da Ferrari, essa esperança morreu em Suzuka. Em mais um momento de desespero no grid minutos antes da corrida, um problema na vela do carro de Sebastian Vettel quase deixou a Ferrari sem poder largar com seus dois carros segunda vez consecutiva. Apesar da confusão, os mecânicos conseguiram ajustar o carro a tempo de ver o alemão andar em solo nipônico. Porém, apenas andou.
A falta de potência culminou em um precoce abandono do bólido vermelho na quinta volta e deu de mão beijada o campeonato para Lewis Hamilton, que venceu a prova e abriu incríveis (e inimagináveis, considerando o equilíbrio da temporada até o momento) 59 pontos de vantagem para Vettel. Com apenas quatro corridas para o final da temporada, é quase impossível acreditar em uma reviravolta da equipe italiana, que mais uma vez, acaba morrendo na praia. Seria trágico, se não fosse comum.
O otimismo em ver o cavalinho rampante no topo se alastra por temporadas, e para muitos, chega a ser mais decepcionante que o atual rendimento do motor Honda. Alonso que o diga: Em sua ambição por título, sua ida à Ferrari foi vista como uma combinação extremamente vencedora. Apesar das 11 vitórias, um Felipe Massa solidário e de chegar muito perto de conquistar o título nas temporadas de 2010 e 2012, a falta de desenvolvimento num carro que não batia de frente com a Red Bull acabou frustrando o espanhol, que pegou suas luvas e abandonou o barco. Felipe Massa também sofreu com erros de sua equipe, com o bizarro erro no pit stop combinado com a famosa batida proposital de Nelson Piquet Jr. e um drive through por unsafe release deixou o brasileiro sem pontos naquela ocasião. Seria apenas um erro, mas a temporada acabou culminando numa perda dramática na última curva da última volta da última corrida e por apenas um ponto, história que nós brasileiros conhecemos muito bem.
Apesar dos repetitivos erros, o contexto da Ferrari de hoje é outro: Uma equipe jovem, sem Ross Brawn, sem Montezemolo, que apesar de ter projetado um bom carro, ainda não tem a experiência para poder se manter no topo e bater de frente com uma Mercedes que também pode ter seus erros, mas que acaba os compensando com performances dominantes. A declaração de Sergio Marchionne em Sepang, onde o diretor executivo questionou a qualidade dos componentes, ressaltando que os mesmos não eram ideais para um carro de F1 mostra bem a situação da equipe no momento. Para a renda e a tradição da Scuderia, essa foi uma declaração um tanto quanto infeliz.
Para 2018, a Ferrari precisa dar mais um passo à frente. O ano 2017 pode ter um final desagradável, mas se olharmos para a temporada anterior, onde a Ferrari sequer conseguiu vencer, Maranello segue com um salto significativo em seu desenvolvimento. Talvez a ideia de evoluir não seja tão fácil considerando o fato de não haver uma mente experiente por trás de seu trabalho, como aconteceu com equipes como Mercedes/Brawn, que contou com o próprio e com a ajuda de Michael Schumacher em seu período de desenvolvimento, ou da Red Bull que teve Adrian Newey como a grande mente por trás de seu salto. No final, Marchionne, Maurizio Arrivabenne e companhia terão mais um final de ano de reflexão, buscando soluções não para chegar ao topo, mas sim para se manter na posição que os tifosi desejam e que a histórica scuderia de Maranello pertence.

