Antes de entrarmos no assunto principal, quero deixar claro que esse texto não tem a intenção de defender nem atacar os pilotos envolvidos na polêmica de Baku.
A temporada de 2017 da Fórmula 1 marca a volta de Sebastian Vettel ao protagonismo da categoria. Após três anos assistindo o domínio total da Mercedes, Vettel deposita suas esperanças em seu bólido vermelho para um possível pentacampeonato. Mas, junto com as boas atuações, o alemão volta a apresentar algo que assombra sua carreira: O temperamento.
Seu mau comportamento em Baku reabriu a discussão sobre o quão aceitável são tais atos. Não é de hoje que vemos o tetracampeão se deixar levar pelo calor do momento: Desde a batida da inexperiente promessa em Mark Webber no GP de Fuji de 2007 ao famoso episódio da última edição do GP do México, são várias as situações em que vimos Vettel perder o controle de seus atos.
Não há dúvidas de que estamos presenciando uma das lendas do esporte escrevendo sua história, mas assim como vários outros grandes nomes, a obsessão de Seb em ser o melhor supera os limites éticos do esporte em algumas ocasiões. Dito isso, não é a primeira e provavelmente não será a última vez em que veremos este tipo de atitude no circo da F1.
Nos últimos trinta anos de Fórmula 1, vimos Alain Prost se aproveitar da liderança de Jean-Marie Balestre em episódios como o GP do Japão de 1989, que Ayrton Senna venceu após sobreviver ao choque provocado pelo piloto francês, mas que acabou sendo desclassificado por “cortar caminho”, tornando Alain tricampeão mundial com uma corrida de antecedência. Um ano depois, vimos Ayrton Senna se vingar do ocorrido, no mesmo palco, quando sua McLaren colidiu com Prost, agora piloto da Ferrari na primeira curva, fazendo com que desta vez, o brasileiro ficasse com a coroa.
Michael Schumacher também sentiu o sangue subir a cabeça ao agir em desespero em jerez, no ano de 1997. Ao ver seu rival pelo título Jacque Villeneuve ameaçar uma ultrapassagem, schumi jogou sua Ferrari em direção ao canadense numa manobra suicida que acabou sendo malsucedida, deixando o alemão fora da corrida e Jacque tranquilo para caminhar em direção a seu primeiro e único título mundial.
Mais recentemente, Fernando Alonso se envolveu em um dos maiores escândalos da categoria na estreia da etapa de Cingapura, em 2008. Após uma batida proposital de seu companheiro de equipe Nelsinho Piquet, Alonso se aproveitou de ter parado cedo e tomou a ponta no safety car, conquistando sua única vitória na temporada. Após descoberta a trapaça, a equipe Renault foi multada e o chefe de equipe da época, Flavio Briatore, banido do esporte.
Quatro pilotos, quatro atos antidesportivos, e lições a serem aprendidas. A semelhança entre eles? Todos são pilotos de renome, conquistaram títulos, estabeleceram suas marcas e são aclamados pela comunidade.
Vettel ainda terá muito a conquistar em seus próximos anos: Títulos, vitórias, mas acima de tudo, experiência. Após seu quarto título, Seb foi perguntado sobre o que achava de ser um exemplo para as crianças. Sua resposta? “É estranho. Eu ainda me sinto uma criança.” Quase quatro anos depois, é hora de provar para o povo que seus feitos são maiores que qualquer erro, e que, acima de qualquer obsessão, ainda existe uma criança vivendo o seu próprio sonho.

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