Expectativas foram feitas para serem superadas e que assim seja na Fórmula 1. Este Grande Prêmio da China tirou o fôlego de muitos e deixou outros boquiabertos com o espetáculo em Xangai. Depois das incertezas em Albert Park, a segunda etapa da temporada de 2017 garantiu aos petrolheads muitas emoções e ultrapassagens.
Na largada com pista molhada, o único a ousar foi Carlos Sainz com a sua escolha de supermacios contra os dezenove pilotos de pneus intermediários. Hamilton manteve sua posição contra a investida de Vettel em posicionar sua Ferrari à esquerda do colchete. Kimi Raikkonen foi ultrapassado por Daniel Ricciardo e Felipe Massa perdeu posições.
Thumps up para Fernando Alonso que conduzindo como um animal, saiu da 13º posição para a 8ª.
Lance Stroll, pobre rapaz, mal teve tempo de desfrutar a verdadeira emoção do automobilismo, fez uma confusão com Sergio Perez e foi parar na caixa de brita. Adeus para o canadense!
A saída do novato fez Toto Wolff sorrir, pois se na Austrália a Mercedes deu o pirulito na boca de Sebastian Vettel, neste domingo foi a vez de retribuir. O alemão foi para o box durante safety car virtual. Da saída do pit stop, Vettel voltou em sexto lugar e dali teve de remar muito para chegar à maré.
Na quarta volta, Giovinazzi bateu e desta vez, o verdadeiro Safety Car – o real e físico – entrou na pista.
Talvez se Giovinazzi não tivesse se chocado contra o muro e o Safety Car não tivesse entrado na pista, provavelmente Vettel conseguiria lutar pela vitória contra Lewis Hamilton.
Na relargada, ponto positivo para Verstappen: de 16º lugar pulou para terceiro ao ultrapassar Kimi Raikkonen. Encantava todos na pista ao costurar os diversos pilotos na largada e mostrar sua competência em crescer na adversidade, o holandês.
Enquanto Lewis Hamilton fazia sua corrida à parte sem ameaças, seu companheiro de equipe, Valtterri Bottas, parecia viver ainda nos tempos da Williams na 11ª posição. O finlandês fez tempos bons e marcou voltas mais rápidas, mas pecou em rodar na pista. Mais a frente, a disputa se tornava interessante com Verstappen, Ricciardo, Raikkonen e Vettel. Todos, literalmente, muito próximos.
Na escuderia italiana, Raikkonen esbravejava pelo rádio acerca de seus problemas no carro e era obrigação de Vettel ultrapassar seu companheiro. E assim o fez, após algumas voltas de perseguição, Sebastian utilizou o mesmo ponto de ultrapassagem onde duas voltas depois alcançaria Ricciardo. O australiano e o alemão estavam colados, mostraram que dois corpos podem dividir o mesmo espaço na roda com roda e Vettel saiu na frente pela briga da terceira colocação.
Se em voltas anteriores, Verstappen mostrava talento. Na 29ª ele deixou claro que é um grande piloto, está no caminho certo, mas ainda tem de amadurecer. Max errou na freada, fritou pneus e Vettel não desperdiçou a chance. Em seguida, o holandês voador foi para o pit stop e voltou em sexto lugar. Sorte de Lewis Hamilton que conseguiu onze segundos de vantagem sob seus vassalos.
La suerte está echada. Ao menos estava quando Carlos Sainz e Fernando Alonso duelaram bravamente. Além de perder a posição para o novato, o príncipe das Astúrias teve de se despedir da prova com problemas na sua McLaren (de novo!). Adendo: Vandoorne saiu na 17ª volta com problema na distribuição de combustível.
Na turma da frente, Vettel parou na volta de número 35 para trocar os seus pneus do início da prova. Na 37ª, Hamilton fez seu pit stop e voltou na liderança na frente de Raikkonen. E somente na 40ª volta, o finlandês foi para o box.
Com a parada de Raikkonen, Vettel pulou para o segundo lugar. O alemão ainda tentou lutar pelo lugar mais alto do pódio, porém, Hamilton cruzou a linha de chegada com 8 segundos de vantagem sobre o alemão.
“Foi uma corrida interessante e divertida. Podemos ficar contentes com os resultados de hoje. As condições eram difíceis no começo, e nunca se sabe o que pode acontecer nesses momentos. Tentei perseguir Lewis ao máximo, mas tive a sensação de que cada vez que me aproximava ele conseguia responder bem.”, comentou Vettel após a corrida.
Nas voltas finais, o duelo foi entre os pilotos da Red Bull, Max Verstappen e Daniel Ricciardo. O sorridente australiano puxou, acelerou, pôs pressão e não conseguiu ultrapassar seu companheiro de equipe. Max fechou o pódio.
Se na China quatro é o número do azar, o mesmo não pode ser dito para o piloto do carro 44. Apesar de não ter vencido a corrida de estreia, Lewis Hamilton não poderia ter começado o campeonato de forma melhor. Ele reinou durante o final de semana. Garantiu a pole, fez a volta mais rápida e venceu de ponta a ponta. Mais um Grand Chelem do tricampeão inglês que está a caminho do tetra.
Em suma, o Grande Prêmio da China foi muito bom porque esta nova Fórmula 1 é encantadora. Se a Mercedes cometer um erro bobo que seja, a Ferrari estará pronta para se aproveitar. No português claro: a Ferrari conseguirá muito bem segurar a peteca, como fez na Austrália.
Hamilton e Vettel estão empatados. 43 pontos cada. Pela primeira vez desde 2012 a disputa está entre duas equipes: Ferrari e Mercedes. É, acho que valeu a pena reclamar de 2016.

Deixe um comentário