E agora, Felipe? O descanso acabou. Interlagos parou. Povo bramiu. Mônaco esfriou.
Na Blue Monday, a notícia mais óbvia do que o título do Palmeiras no campeonato brasileiro foi anunciada.
Com a F-1 representando o cenário do Brasil pelo desemprego de Nasr e a dificuldade em se aposentar devido às futuras regras da Previdência, Massa não esperou o banco em Wantage esfriar e aceitou o convite especial de Claire Williams para retornar a sua não tão antiga labuta dominical.
O nosso brasileiro não foi o único piloto a voltar para as pistas após o anúncio da aposentadoria.
No ano de 1982, Niki Lauda retornou após se aposentar no final de 1979. O austríaco conquistou duas vitórias e terminou a temporada em quinto lugar com trinta pontos. Também é importante elencar que a desaposentadoria trouxe seu tricampeonato em 1984.
Já em 1994, Nigel Mansell retornou ao banco do Williams após a tragédia de San Marino. O leão participou de quatro Grandes Prêmios e obteve um quarto lugar em Suzuka e vitória na Austrália.
Na temporada de 2010, a Mercedes trouxe Michael Schumacher, que retornava a F-1 após a sua aposentadoria anunciada em 2006 – também conhecido como o ano que Massa venceu em Interlagos e Raikkonen estava aliviando as necessidades fisiológicas durante a homenagem ao Schumi ao lado de Pelé.
Não mentiria ao dizer que o companheiro de equipe, Nico Rosberg, destacou-se mais que Schumi durante o ano.
2010 foi um bom ano para outro alemão, mas não para o heptacampeão. Schumacher encerrou a temporada sem vitória, pole positions ou pódio. Rosberg garantiu 142 pontos e três pódios para a flecha de prata, enquanto Schumi terminou com 72 pontos em nono lugar na tabela.
Quando Michael voltou, a Mercedes havia saído da fornalha e patinava nos circuitos.
O caso de Felipe é diferente. Ele não parou, apenas anunciou aposentadoria, curtiu peladinha com Neymar e provocou o efeito “Quero minhas lágrimas de volta” nas redes sociais. Massa sabe os planos da equipe. Está e esteve envolvido nos planos de desenvolvimento da Williams em 2017.
Assim como muitos que acompanham a Fórmula 1, eu não tenho expectativa para a Williams em 2017. Se a Mercedes tinha saído do forno com o Schumacher, a Williams já esfriou e nada muda.
A Ferrari também há tempo não ganha título, mas surpreende mais que a equipe inglesa. Após o título de Raikkonen em 2007, os italianos quase foram campeões em 2008, 2010 e 2012. A reformulação da McLaren causou mais euforia para os torcedores ao ver Alonso e Button lutando pela zona de pontuação e conquistando boas posições com um motor Honda do que a monótona vida de Bottas e Massa na equipe de Sir Frank Williams.
É difícil comparar a estrutura de uma equipe fundada no fundo de quintal na Inglaterra com a grandiosa obra capitalista e manufatureira das montadoras com mais equipamentos tecnológicos e marketing consolidado, a exemplo da Ferrari e Mercedes. Respeito e admiro o estilo garagista de Frank, mas isto seria tema para outro texto.
Não digo que a escolha de Felipe é certa ou errada. Mas não tenho muito que esperar. Um bom ritmo no Q2, uma briga por pódios e quem sabe quando o universo conspirar, uma pole ao estilo daquela na Áustria em 2014. E para não dizer que não falei das flores, estou feliz por ver aquela criancinha linda que é o Felipinho Massa na televisão.