Neste domingo, os petrolheads finalmente puderam provar um gostinho da categoria mais popular do automobilismo e desta vez a dose foi mais forte. Com carros maiores e mais velozes, a Fórmula 1 iniciou a temporada de 2017 com pé direito e alguns problemas técnicos para resolver.
A corrida começou tranquila com o pelotão da frente a segurar suas posições, sendo Massa o único piloto a conseguir uma posição ao ultrapassar Grosjean. Na turma do fundão, Ericsson e Magnussen bateram, mas conseguiram voltar para a pista.
Logo de início, a ousadia de Vettel (ou seria sede de vitória?) deixou os aficionados de automobilismo colados na cadeira ao ver o alemão tentar se aproximar de Lewis Hamilton, o pole e líder da prova. O tempo mostrou que apenas atacar não seria certo, o piloto da Ferrari precisaria de uma estratégia e ele encontrou uma no baú do tempo.
Sebastian Vettel tirou o truque “Michael Schumacher” da manga. Desacelerou e esperou Hamilton ir aos boxes para poder dar o ar de sua graça. E assim fez. Quando o inglês parou na 18ª volta, Sebastian colocou o pé no acelerador para dar voltas mais rápidas, postergar o pit stop e ter um pneu em melhor estado para o fim da corrida. Algo que não foi necessário.
Para a alegria dos ferraristas, Hamilton voltou atrás de Verstappen e nós, fãs de velocidade, já sabemos como é difícil ultrapassar o jovem Laranja Mecânica da Red Bull.
E mais uma dose de êxtase para os tifosi: após a parada de Vettel na 23ª volta, o alemão voltou na frente de Max Verstappen.
O pódio se tornou óbvio após a 27ª volta. Com o pit stop de Raikkonen, Vettel passou a liderar a prova e tinha Hamilton atrás. A vantagem do alemão sobre o piloto da Mercedes foi superior a seis segundos. Além de ver a diferença de tempo aumentar, Lewis Hamilton também teve pesadelos ao ver a aproximação de Valtteri Bottas, o recém-chegado dos Flechas de Prata.
Outro piloto que teve um sonho ruim foi Daniel Ricciardo. O australiano largou dos boxes com problemas no carro e em quatro temporadas esta foi segunda vez que ele não terminou a corrida em casa.
Lance Stroll teve problemas com os freios, escapou em uma curva e se retirou da corrida na volta de número 44. Nada mal para um virgem de Fórmula 1. Mais algumas corridas e quem sabe o papai de Lance consegue algum retorno de seu “investimento” na Williams. Será?
Se para a Ferrari o tempo estava bom, o clima na McLaren era outro. Alonso fazia uma corrida boa, mantendo a décima posição contra as investidas de Esteban Ocon até ter problemas com a suspensão e abandonar a prova. O príncipe das Astúrias disse que estava em uma das melhores corridas em toda sua carreira. Para um carro nada competitivo, economizando combustível e com a má fama do motor Honda, o espanhol estava certo. 2017 não será um ano fácil para a McLaren.
Instantes depois, Sebastian Vettel cruzou a linha de chegada com precisamente 9s975 de vantagem sobre Lewis Hamilton. Para completar o pódio, Bottas chegou em terceiro lugar.
Vettel alcançou a sua 43ª vitória na Fórmula 1 e garantiu o sorriso dos italianos, já que a Ferrari não ganhava uma corrida de estreia desde 2010.
Já temos o campeonato decidido? Não. A vitória ítalo-germânica abre as cortinas do circo demonstrando mais competitividade nesta temporada. Embora a Mercedes seja a grande favorita, Toto Wolff e companhia sabem que a qualquer deslize a Ferrari pode chamar atenção.
Em uma análise fria, é nítida a imagem de carros mais rápidos até mesmo na volta de apresentação. A velocidade pode garantir quebras de recordes em voltas mais rápidas nos circuitos mundo a fora, como em Interlagos que ainda tem a marca de Montoya com 1m11s473 em 2004. Contudo, pode parecer contraditório pensar que a Mercedes pode ter uma equipe para temer em algumas situações do campeonato e ao mesmo tempo imaginar que o novo sistema de downforce – traduzindo para aderência aerodinâmica – possa atrapalhar as ultrapassagens, o que é um fator negativo para o esporte, em vista que as redes sociais demonstravam o êxtase dos fãs da F1 com os ataques ousados de Max Verstappen no ano passado.
Mais competitividade em estratégias e menos competitividade na hora H? Parece que sim.

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